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Trabalhadores dos SAMS em greve na terça-feira

No dia 27 de novembro, os trabalhadores dos serviços de assistência médico-social (SAMS) do sindicato dos bancários (SBSI) estarão em luta, em defesa da instituição e da contratação coletiva. Os sindicatos e a CT acusam o SBSI de “arrogância” e de ser um “sindicato patrão”.
Trabalhadores dos SAMS fazem greve de 24h na terça-feira e manifestam-se em Lisboa
Trabalhadores dos SAMS fazem greve de 24h na terça-feira e manifestam-se em Lisboa

Na próxima terça-feira, 27 de novembro, os trabalhadores dos SAMS do sindicato dos bancários do Sul e Ilhas (SBSI) estão em greve de 24h e concentram-se no Centro Clínico às 9h30, desfilando depois até ao Ministério do Trabalho, na praça de Londres em Lisboa.

Os trabalhadores lutam contra a caducidade do Acordo de Empresa, “pela sua aplicação efetiva e pela expansão, rentabilização e valorização” do SAMS e afirmam que continuarão na “primeira linha” da sua defesa.

Em comunicado com o título “SAMS – Que Futuro?”, os sindicatos representativos de todos os trabalhadores e a Comissão de Trabalhadores acusam o SBSI de recusar-se a negociar e de ter requerido a caducidade dos acordos de empresa no ministério do Trabalho. Pela recusa à negociação responsabilizam nomeadamente o presidente do SBSI, Rui Riso, deputado do PS e membro da comissão de Trabalho da AR.

Os representantes dos trabalhadores acusam a direção do SBSI de querer acabar com carreiras existentes, “retirar aos trabalhadores os direitos e proteções nelas consignados, desregular a contratação e fazer proliferar ainda mais o ‘recibo verde’ e liquidar qualquer esperança futura de contratação coletiva”.

Os sindicatos e a CT acusam ainda o ministério do Trabalho de adiar a abertura de um processo de arbitragem obrigatória e de não lhes prestar os esclarecimentos que lhe foram solicitados.

Horários de trabalho semanal de 40h

Os sindicatos e a CT consideram que a direção do SBSI de incluir na sua proposta “as técnicas de exploração mais antigas e retrógradas” e exemplificam:

  • “Horários de trabalho semanal de 40h, com um encapotado Banco de Horas que atinge as 60h semanais – ou seja, semanas de 60h pagas como trabalho normal;
  • Trabalho extraordinário/suplementar com valores miseráveis;
  • Carreiras profissionais com bases salariais vergonhosas e sem qualquer correspondência com a realidade dos SAMS;
  • Reduzem as Férias para 22 dias;
  • Anulam as horas de qualidade;
  • Não constam também na proposta apresentada para negociações:
    • O acesso aos SAMS para os Trabalhadores do SBSI/SAMS (para o qual descontam todos os meses);
    • Os Subsídios de Estudo e Infantil para os filhos dos Trabalhadores;
    • Os Complementos de Reforma;
    • Os Fundos de Pensões”

Encerramento da Maternidade e partos no Hospital Cuf Descobertas

Os sindicatos e a CT lamentam também que o SBSI tenha encerrado serviços, nomeadamente a Maternidade do Hospital do SAMS, passando os partos a ser realizados no Hospital Cuf Descobertas. Os obstetras do SMA fazem serviço de urgência no seu tempo normal de trabalho ao hospital privado.

Sindicato Patrão”

Os órgãos representativos dos trabalhadores dos SAMS concluem que a situação é “muito grave”, porque um “Sindicato Patrão” põe em causa o futuro dos SAMS, “por se desfazer de valências fundamentais” e por “colocar em causa princípios básicos do sindicalismo e do regime democrático, nomeadamente a contratação coletiva”.

Os sindicatos médicos afirmam que assinaram 36 acordos coletivos, “com governos da República e das Regiões Autónomas de diferentes cores partidárias, com Parcerias Público Privadas, do grupo Mello, Lusíadas Saúde e Santa Casa da Misericórdia de Lisboa”, e nunca se confrontaram com "tamanha arrogância".

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