Está aqui

Trabalhadores dos CTT de Loulé em greve quinta e sexta

Os trabalhadores dos CTT de Loulé estão em greve quinta e sexta-feira. Consideram a situação dos correios da região “incomportável quer para os trabalhadores quer para os utentes”. Entretanto, ao nível nacional, nove sindicatos dos CTT juntaram-se num comunicado em defesa da dignidade dos trabalhadores.
Carteiro em luta.
Carteiro em luta. Foto da CGTP.

“Tudo corre mal dentro e fora do Centro de Distribuição de Loulé”. O comunicado do SNTCT, Sindicato Nacional dos Trabalhadores dos Correios e Telecomunicações, justifica assim a greve marcada para esta quinta e sexta-feira pelos trabalhadores dos CTT deste centro.

Segundo este sindicato, quando os trabalhadores se reuniram em plenário para decidir as formas de luta que iriam tomar face a esta situação, havia apenas 20 trabalhadores para 30 giros de distribuição. E, apesar dos CTT terem contratado temporariamente sete trabalhadores, cinco deles estavam de férias. Assim, havia mais de 100 mil cassetes de correios por distribuir.

Os trabalhadores denunciam que o “caos” causado por esta situação faz com que os trabalhadores estejam a ser “ameaçados na rua de forma verbal” devido “o desespero dos clientes por não receberem correio. Uma situação que, asseguram, se repete “em todos os Centros de Distribuição do Sotavento Algarvio. E como os “utentes estão fartos” e “os trabalhadores estão fartos”, acreditam que “a luta vai alastrar”.

Sindicatos dos CTT juntam-se para “defender a dignidade”

Entretanto, a luta dos trabalhadores dos correios juntou nove sindicatos do setor num comunicado conjunto datado de cinco de setembro. Nesse texto, consideram que “os problemas que continuam a existir nas Estações prendem-se sobretudo com a falta de trabalhadores para executar as tarefas diárias”.

A situação agrava-se em altura de férias. A empresa “não contrata o número suficiente de trabalhadores para substituição dos que estão em férias” ou em baixas prolongadas. Isto para além de impor períodos de férias fora de escala “sem qualquer respeito”, impedindo os trabalhadores de conciliar férias com os familiares. Para além disto, referem alterações de horário sistemáticas, “muitas vezes usadas como forma de ameaça e pressão”.

Os sindicatos queixam-se ainda de outras situação como “alterações constantes ao sistema informático” que causam “mais lentidão nos computadores e na realização dos serviços”, as alterações do sistema de gestão de filas de espera que fazem com que se chame automaticamente um utente antes de acabar de atender o anterior, o que “provoca muitos conflitos”.

Critica-se igualmente a “fiscalização feroz e persecutória” das atividades dos trabalhadores que “cria um clima de medo e de suspeita cada vez maior”, o que tem levado ao “aumento exponencial das baixas por doença, muitas delas por motivos originadas pelo esgotamento dos trabalhadores”.

Os trabalhadores dos CTT reivindicam também uma atualização salarial e a reposição do poder de compra, cujos salários estão “estagnados há vários anos” e dizem que já não se contentarão “com as migalhas que vêm sob a forma de prémios de assiduidade, pontos para perfumes, vouchers” com as quais têm sido “enganados com uma cenourinha à frente dos olhos”.

Por isto, pensam que “está na hora de pormos de lado as nossas diferenças” e também a “apatia, indiferença e o medo” uma vez que empresa está a ser “destruída”. E é tempo de exigir respeito pelos trabalhadores dos correios e defender a sua dignidade.

Termos relacionados Sociedade
(...)