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Trabalhadores dos correios britânicos exigem aumentos salariais para compensar inflação

Primeira greve do Royal Mail em treze anos paralisará o serviço postal a 26 e 31 de agosto e ainda a 8 e 9 de setembro. Os mais de 115.000 trabalhadores da empresa “estão a ser empurrados para o precipício", frisou Dave Ward, secretário-geral do The Communication Workers Union (CWU).
Foto de Cristiano Betta, Flickr.

De acordo com Dave Ward, a Royal Mail, privatizada entre 2013 e 2015, prevê um aumento médio dos salários de 2%, face a uma inflação que já atingiu 9,4% em junho.

“Não podemos continuar a viver num país onde patrões recebem benefícios milionários enquanto os seus funcionários são obrigados a ir a bancos de alimentos”, sublinhou o secretário-geral do CWU, citado pela agência Lusa.

"Enquanto os responsáveis do Royal Mail embolsarem 758 milhões de libras [cerca de 896 milhões de euros] em lucros e os acionistas 400 milhões de libras [cerca de 473 milhões de euros], os nossos membros não vão aceitar o argumento de que a empresa não tem dinheiro", realçou.

Em declarações à agência Reuters, o dirigente sindical deixou críticas aos “líderes empresariais gananciosos”: "Os trabalhadores dos correios não aceitarão humildemente que os seus padrões de vida sejam martelados por líderes empresariais gananciosos que estão completamente fora de contacto com a Grã-Bretanha moderna", apontou.

Já Ricky McAulay, diretor de operações do Royal Mail, um dos grupos postais mais antigos do mundo, referiu em comunicado que a estrutura sindical repudiou um aumento "de até 5,5%" no pagamento a trabalhadores em determinados escalões salariais.

Após o anúncio daquela que é, segundo o The Telegraph, a primeira greve do Royal Mail em treze anos, a sua administração revelou que planeia renomear o grupo para International Distributions Services e possivelmente desmembrar a empresa, já que se tornou cada vez mais dependente das suas lucrativas operações no exterior, chamadas GLS. “Financeiramente, é uma história de duas metades nos nossos dois negócios, Royal Mail e GLS”, disse o diretor financeiro do grupo, Mick Jeavons, citado pelo Financial Times. “Isso ilustra que estamos cada vez mais dependentes financeiramente da GLS”, continuou.

O CWU reagiu prontamente à ameaça de separação dos diferentes negócios: “É patético que o Royal Mail, uma empresa que anunciou lucros [anuais] de 758 milhões libras há poucas semanas, agora esteja a alegar pobreza e a ameaçar a fragmentação, a menos que consigam o que querem”, referiu a estrutura sindical.

“Os nossos membros estão comprometidos com o crescimento do Royal Mail como um serviço público de alta qualidade – eles merecem um aumento salarial decente”, acrescentou o sindicato.

O aumento dos preços e a estagnação do crescimento real dos salários têm também forçado os sindicatos do setor da ferrovia e transporte aéreo a avançar para a greve.

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