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Trabalhadores do São Carlos e CNB consideram ministra incapaz de lidar com o protesto

CENA-STE e sindicalistas do OPART apelam à intervenção de António Costa na empresa pública que gere São Carlos e Companhia Nacional de Bailado. Consideram Ministra da Cultura e Presidente do OPART incapazes de gerir “o diferendo laboral”. Bloco questiona governo sobre atrasos em cumprir o prometido.
Foto de CENA-STE/Facebook

“Comportamentos erráticos e intransigência”. É assim que os trabalhadores da OPART, empresa pública que gere o Teatro Nacional de São Carlos e a Companhia Nacional de Bailado, e o sindicato CENA-STE classificam o comportamento negocial da Ministra da Cultura e do Presidente do OPART.

Os representantes dos trabalhadores utilizam o mesmo jornal em que Graça Fonseca tinha escrito um artigo de opinião crítico das posições sindicais nesta questão para lhe dar resposta. Acusam-na de “estar mal informada” sobre as suas posições e garantem que valorizaram “a inversão do caminho de desinvestimento na Cultura seguido pelo anterior Governo”.

O CENA-STE esclarece assim que “nunca limitou a sua intervenção às questões laborais”, que foram “os primeiros (e por vezes os únicos) a chamar a atenção para o definhar da programação do OPART e incumprimento da missão artística desta que é a maior empresa pública do espectáculo”, que alertaram para “a necessidade de realização de obras no TNSC, quer no exterior, quer ao nível dos espaços de trabalho e de circulação”.

Daí que, dizem, tenham valorizado o anúncio de três milhões de euros para obras. Mas não deixam de dizer que estranharam “que não fosse então possível acrescentar 60 mil euros para debelar o problema laboral que nos separa do retorno à negociação” e perguntam se “se perdeu nos corredores da Ajuda o plano de intervenção de 40 milhões que estava a ser estudado pelos anteriores responsáveis da tutela”. Perguntam ainda pelas obras de renovação da fachada do São Carlos “que estavam agendadas para o primeiro semestre de 2019”.

O CNA-STE esclarece que, na sua última proposta, reduziu as “reivindicações mínimas” a três: harmonização salarial dos técnicos, pagamento do trabalho suplementar, sala de ensaios da Orquestra Sinfónica Portuguesa. Mas não esquecem de mencionar outras exigências como a de um Estatuto Profissional para os bailarinos que resolva, por exemplo, a questão da sua promoção e da reforma.

Apesar da tutela se ter comprometido a resolver as questões do trabalho suplementar e da sala de ensaios, promessas sobre as quais dizem que vão estar vigilantes, os representantes dos trabalhadores dizem que a harmonização salarial dos técnicos seria “condição sine qua non para suspender a greve”.

Os sindicalistas afirmam ainda que “este Governo do PS está longe de fazer justiça ao afirmado em plena campanha, continuando a remendar o que entretanto se perdeu” e que os quatro anos do seu mandato não chegaram “para voltar a dotar solidamente a empresa que gere o único teatro de ópera do país e a única companhia de bailado estatal”. Contudo, concluem com um apelo à intervenção de António Costa. Para o CENA-STE, só a entrada em cena de António Costa pode resolver aquilo com que a Ministra e o Presidente da empresa mostram ser “incapazes de lidar”.

Bloco quer ouvir CENA-STE e OPART no Parlamento e questiona Ministério das Finanças

Sobre esta situação, o Bloco de Esquerda entregou um requerimento para a audição do Sindicato CENA-STE e da OPART na comissão de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto e enviou uma pergunta ao Ministério das Finanças.

Na sequência da sua luta por “mais e melhores condições laborais”, que os deputados bloquistas consideram “justa” e do acordo assinado em abril com os trabalhadores técnicos do Teatro S. Carlos e da Companhia Nacional de Bailado que “dava resposta às principais preocupações

destes trabalhadores” mas que continua por cumprir, tendo mesmo o governo suspendido as negociações na reunião entre trabalhadores e administração da empresa, os deputados Luís Monteiro, José Soeiro e Isabel Pires querem que a comissão de Cultura, junto com a de Trabalho e Segurança Social, oiçam as razões quer do CENA-STE quer da OPART.

Ao mesmo tempo, o Bloco questionou o Ministério das Finanças. Os deputados bloquistas querem saber se o governo está disposto a atender à reivindicação de harmonização salarial e se este Ministério está disponível “para assumir as responsabilidades já assumidas pelo governo e libertar as verbas necessárias para dar resposta às reivindicações dos trabalhadores”.

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