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Trabalhadores das Águas de São João queixam-se de “ambiente de trabalho repressivo”

Pressão psicológica, videovigilância e condições de trabalho de “grande insalubridade, penosidade e risco” são algumas das situações denunciadas. Trabalhadores apontam responsabilidades ao diretor-geral nomeado pela Indaqua, empresa detida por um fundo de investimento.
Águas de São João. Foto da CGTP.
Águas de São João. Foto da CGTP.

Os trabalhadores da empresa Águas de São João reuniram em plenário no passado dia 15 e decidiram dar a conhecer “o ambiente de trabalho repressivo e antidemocrático que se vive na empresa”. Culpam disso o diretor-geral nomeado pela Indaqua.

As Águas de São João são detidas maioritariamente pelo município de São João da Madeira. O sócio minoritário é a Indaqua com 49% do capital social. Esta empresa, por sua vez, é detida por uma multinacional do setor da gestão das águas, o Grupo Miya, que, por sua vez, é propriedade atualmente de um fundo de investimentos denominado Antin Infrastructure Partners, depois de já ter sido vendida três vezes nos últimos quatro anos. É a maior concessionária das águas municipais em Portugal.

Segundo os trabalhadores, a gestão “autoritária” do diretor-geral conta a “conivência” do Conselho de Administração. Este tem sido alertado para os problemas pelo Sindicato dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionárias e Afins, o STAL mas não fez “qualquer diligência no sentido de apurar a situação denunciada e as consequências de uma gestão opressiva e antidemocrática para com os trabalhadores, que dão o seu melhor na prestação do serviço público à população de S. João da Madeira”, revela o sindicato.

Os trabalhadores indicam a existência de “uma enorme pressão psicológica”, denunciam serem “obrigados a assinar declarações que lhes retiram direitos”, haver processos disciplinares “frequentes”, decisões baseadas “em critérios pessoais e discriminatórios”, terem sido instaladas “câmaras de videovigilância e de gravação” nos Serviços Administrativos e Estaleiros a que o diretor tem “acesso direto”, não se sabendo “para que fins são obtidas”. Há ainda denúncias de assédio moral e coação psicológica “a muitas trabalhadoras e trabalhadores”.

Nesta empresa os trabalhadores têm, na sua maioria, salários baixos e “nada condizentes com a formação/qualificação profissional que possuem, estando ainda sujeitos a condições de trabalho de grande insalubridade, penosidade e risco, não existindo na empresa equipamentos essenciais para desenvolver um trabalho mais rápido, seguro e adequado, como, por exemplo, uma viatura de desobstrução de esgotos”.

No seu plenário, concordaram exigir aumentos salariais de 90 euros para todos os trabalhadores, a negociação urgente de um Acordo de Empresa, a implementação de “adequadas” condições de trabalho e um salário mínimo de 850 euros.

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