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Trabalhadores da Tapada de Mafra em greve contra assédio moral

A diretora da Tapada de Mafra foi condenada por assédio moral há sete meses, mas a sentença continua por executar. Trabalhadores paralisam, esta quarta-feira, em luta pelo vínculo público, pelo fim das pressões e em defesa do património ambiental.
Trabalhadores da Tapada de Mafra paralisam nesta quarta-feira - foto CGTP
Trabalhadores da Tapada de Mafra paralisam nesta quarta-feira - foto CGTP

Os trabalhadores da Tapada Nacional de Mafra (TNM) fazem greve das 0H às 24h desta quarta-feira, 11 de setembro, dando conferência de imprensa às 11 h no Portão do Codeçal. O sindicato dos trabalhadores em funções públicas e sociais do sul e regiões autónomas (STFPSSRA) aponta que os objetivos da greve são a luta pelo vínculo público; o combate às práticas de assédio moral e à falta de condições de trabalho; a defesa do património ambiental e da contratação de pessoal; a exigência do cumprimento do Plano Operacional da Defesa da Floresta contra Incêndios (PODFCI).

Presidente da direção da Tapada condenada por assédio há sete meses

Os trabalhadores queixaram-se da presidente da direção da Tapada de Mafra, Paula Cristina Cabaço Simões, à autoridade para as condições de trabalho (ACT) e o inquérito está concluído desde fevereiro de 2019, provando a prática de assédio moral e condenando a diretora.

Paula Cristina Cabaço Simões foi nomeada presidente da direção da TNM pelo ministro da Agricultura, Capoulas Santos, em abril de 2016. Desde o início da posse, a diretora assumiu um comportamento que o sindicato carateriza de “indecoroso e desrespeitoso para com os trabalhadores”, configurando “assédio moral”, apontando também que Paula Simões “chega a apelidar os trabalhadores de ‘calões’ e incompetentes”.

O sindicato destacam a falta de acordo de carreiras ou mesmo de tabela salarial e criticam a diretora de esvaziar funções de uns trabalhadores e sobrecarregar outros excessivamente.

Trabalhadores da Tapada acusam também a diretora de ser a única responsável pela demissão de 10 trabalhadores que, “em desespero, rescindiram os contratos de trabalho por pressões e ameaças” e perguntam porque o ACT não executa a sentença e porque o ministro da Agricultura, Capoulas Santos, não demite Paula Simões.

Em Defesa do Património Ambiental

Os trabalhadores acusam ainda a diretora da Tapada de má gestão ambiental, apontando nomeadamente: corte de sobreiros vivos; ameaças ao único casal de açor; alimentação deficiente de alguns animais; corte de arbustos e florestação sem suporte técnico, “destruindo um valioso ecossistema”.

Sindicato refere também que a Tapada tem o plano operacional de defesa florestal contra incêndios desatualizado, o que coloca em risco de incêndio uma área florestal de 833 hectares; acusa a direção de dolo na preservação do espólio museológico e aponta que as visitas vêm diminuindo e as receitas estão em queda desde 2015. Em 2019, verifica-se uma quebra das receitas de 90% em relação a 2015, caindo de 7.133,39 euros para 410,59 euros.

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