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Trabalhadores da Amazon em protesto num dos principais centros aéreos dos EUA

Paralisação no sul da Califórnia marca a primeira ação coordenada de trabalhadores na crescente divisão de transporte aéreo do gigante do comércio eletrónico. Na origem do protesto está a reivindicação de aumentos salariais e de melhores condições de segurança.
Foto de Stefano Guidi, Getty Images.

De acordo com o The Washington Post, mais de 150 trabalhadores da Amazon no centro aéreo da empresa em San Bernardino, Califórnia, abandonaram os seus postos de trabalho esta segunda-feira para exigir salários dignos e melhores condições de trabalho, nomeadamente no que respeita à sua proteção face às elevadas temperaturas que assolam aquele Estado.

Uma das trabalhadoras do centro aéreo da empresa em San Bernardino, Anna Ortega, de 23 anos, afirmou que, com o aumento dos preços, “está a tornar-se difícil sobreviver”. “Não faz sentido que as pessoas que trabalham aqui estejam com vale-refeição ou com dificuldades financeiras”, apontou Ortega, que ganha 17,30 dólares por hora.

Quatro trabalhadores explicaram ao jornal norte-americano que são confrontados com condições de trabalho extenuantes. Dois trabalhadores relataram que sofreram hemorragias nasais induzidas pelo calor neste verão e outro afirmou ter batido com a cabeça um contentor e ter sofrido uma concussão.

Esta paralisação marca a primeira ação coordenada de trabalhadores na crescente divisão de transporte aéreo do gigante do comércio eletrónico, que utiliza aviões da marca Prime para transportar mercadorias por todo o país. A Amazon depende destes centros aéreos para manter milhões de encomendas em movimento todos os dias, o que significa que o efeito de uma greve ou paralisação de trabalho em qualquer uma dessas instalações tem um impacto maior do que uma ação semelhante num armazém regional.

Ainda que a empresa, que é o segundo maior empregador privado do país, esteja a intensificar a perseguição contra trabalhadores e a tentar eliminar os resultados da histórica vitória eleitoral do Sindicato dos Trabalhadores da Amazónia em Staten Island, esta ação demonstra como os trabalhadores continuando a organizar-se de forma independente em todo o país. A paralisação do trabalho em San Bernardino faz parte de uma onda mais ampla de campanhas de organização de trabalhadores em todo o país nos armazéns da Amazon, marcada até ao momento por uma vitória eleitoral do sindicato em Staten Island.

A ação desta segunda-feira resulta de meses de organização de um grupo independente de trabalhadores, formado no início deste ano, e que se autodenomina Inland Empire Amazon Workers United. Os trabalhadores explicaram que estão a reunir em salas de descanso em centros aéreos, casas de trabalhadores, restaurantes e num centro comunitário em San Bernardino nos últimos meses para discutir as condições de trabalho.

Na origem do grupo está uma petição lançada por alguns trabalhadores que juntou mais de 800 assinaturas de colegas. Na missiva são exigidos aumentos salariais de 5 dólares por hora e uma série de aumentos menores para trabalhadores com cargos específicos e horários noturnos.

Os trabalhadores do centro aéreo de San Bernardino têm recebido apoio de organizações sindicais locais, incluindo o Warehouse Worker Resource Center e Teamsters Local 1932, mas, até ao momento, preferiram permanecer independentes. De qualquer forma, não excluem a possibilidade de virem a sindicalizar-se.

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