Trabalhadores angolanos decretam segunda fase da greve geral

19 de abril 2024 - 14:53

As três principais centrais sindicais de trabalhadores angolanos convocaram esta quinta-feira a segunda fase da greve geral na função pública, com início na próxima semana, tendo como principal reivindicação a atualização salarial em conformidade com a inflação dos últimos anos. Por Sedrick de Carvalho.

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Pormenor de foto de @micotito_10/Twitter.
Pormenor de foto de @micotito_10/Twitter.

Em conferência de imprensa realizada na capital do país, Luanda, a Força Sindical (FS), a União dos Trabalhadores Angolanos (UNTA) e a Central Geral dos Sindicatos Independentes e Livres de Angola (CGSILA) declararam que a determinação de avançar para a greve se deve à falta de respostas por parte do governo às exigências constantes do caderno reivindicativo e por não notarem que haja sequer predisposição para resolução.

Desde dezembro de 2018 até ao momento, as centrais sindicais reuniram sete vezes com o Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPTSS), o que classificaram de “uma verdadeira maratona”, nas quais flexibilizaram “todas as exigências na expectativa de encontrar uma solução”, mas, ainda assim, sem consenso.

Enquanto a primeira fase da greve durou três dias consecutivos, de 20 a 22 de março, a nova fase terá uma duração de oito dias ininterruptos, com início a 22 e término a 30 de abril. Os funcionários públicos dos sectores da saúde, justiça e educação foram os que aderiram massivamente à greve passada, o que gerou reações violentas. Logo no primeiro dia da paralisação, a polícia nacional reprimiu e deteve os grevistas quando protestavam às portas das instituições públicas em que trabalham. Os detidos foram julgados sumariamente, mas libertados por falta de provas de terem cometidos os crimes de que eram acusados.

O salário mínimo de Angola atualmente ronda o equivalente a 37 euros, o que coloca milhares de funcionários públicos e respetivas famílias a viverem em situação de extrema pobreza. Há registo de mortes por fome no sul de Angola, situação agudizada pela seca severa na região.


Sedrick de Carvalho é jornalista angolano e ativista dos direitos humanos.

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