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Trabalhadoras do Vietname são vítimas de abuso sexual

As roupas e os sapatos de marca que fazem chegam ao ocidente sem marcas de exploração. Mas a realidade laboral das trabalhadoras vietnamitas é dura: apalpões, agressões, assédio sexual sob várias formas e até violações.
Fábrica no Vietname. Foto de Mr & Mrs Backpacker/Flickr

A Fair Wear Foundation e a Care International fizeram um estudo sobre a violência que sofrem as trabalhadoras fabris que produzem roupas e calçado para algumas das maiores marcas ocidentais. De entre 763 mulheres entrevistadas em três províncias do Vietname cerca de metade (43,1%) declararam ter sofrido recentemente assédio ou qualquer outra forma de violência.

Jane Pillinger, autora do estudo e estudiosa da questão “nos últimos 30 anos”, conhecia já as condições de trabalho de algumas destas fábricas: horários excessivos, baixos salários, ritmos de trabalho intensivos. Mas não deixa de se confessar “chocada” por “quase 50% das mulheres entrevistadas” terem “ sofrido alguma forma de violência no ano passado”.

Até porque, dada a “enorme cultura de silêncio” que envolve estas circunstâncias, Pillinger sabe que isto significa que “os números serão provavelmente ainda maiores”. A autora recolheu, aliás, indícios de que várias mulheres temiam que as respostas chegassem aos patrões ou maridos e, por isso, nem todas as situações terão sido denunciadas.

O estudo feito prova igualmente que factores como a idade, a educação, o facto de se ser migrante ou não, o tipo de contrato que se tem, diferenciam as mulheres no que toca aos abusos: as mais jovens e com melhor nível de educação e as migrantes são as mais abusadas.

O setor do vestuário no Vietname emprega cerca de dois milhões de pessoas, mais de 80% das quais mulheres, concentrando-as em grandes fábricas, algumas chegando a ter 20000 trabalhadoras.

O estudo mostrou que, no último ano, uma maioria esmagadora destas trabalhadoras (87.7%) experienciou abusos verbais, cerca de metade (49.5%) foi, no mesmo período de tempo, alguma vez vítima de assédio ou violência no caminho para o trabalho, um terço (34.3%) sofreu assédio físico, como beijos, toques, golpes, etc.; um número aproximado (28.9%) ao das que sofreram abusos não verbais como gestos obscenos, sons, ou emails e mensagens ofensivas, ou foram seguidas até casa.

Nestes comportamentos não se incluem as condições de trabalho. Algumas destas trabalhadoras têm horários de trabalho de 12 a 13 horas por dia e descrevem ainda trabalho extraordinário de 90 horas por mês nos meses de mais trabalho. Muitas afirmam que o seu trabalho extraordinário não é pago. Nestas alturas de maior trabalho, a violência e o assédio são mais prováveis.

As trabalhadoras relatam ainda a pressão generalizada que sofrem, com gritos e ralhetes, algumas dizendo que têm medo de ir à casa de banho porque isso pode resultar numa redução de salário.

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