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“Torres Vedras precisa de mudar o rumo da governação e das políticas”

Durante a apresentação de candidatura autárquica do Bloco em Torres Vedras, que contou com a presença de Catarina Martins, Jorge Humberto Nogueira, candidato à Câmara, defendeu que “investir nas pessoas e garantir o futuro” implica uma “mudança de prioridades”.
Jorge Humberto Nogueira, cabeça-de-lista à Câmara Municipal de Torres Vedras. Foto Esquerda.net.

“Ao compadrio, à corrupção, aos amigos do costume”, o Bloco responde “com regras claras e transparência”, porque “com o dinheiro público não se brinca”, afirmou Jorge Humberto Nogueira.

“Investir nas pessoas, garantir o futuro”, lema da candidatura, “implica uma mudança de prioridades na governação”, destacou.

O candidato defendeu que “não se pode dizer que se governa para as pessoas e não ter um plano de habitação pública, fechando os olhos à pobreza e às condições de habitação das famílias mais carenciadas, aos migrantes e a todos os que lutam por habitação digna acessível, reféns da especulação imobiliária, que as atiram para a sobrelotação e indignidade”. Bem como não se pode “aceitar como inevitável a vida de homens e mulheres precários, explorados, sem direitos, silenciados pelo medo de perder o emprego”.

De acordo com Jorge Humberto Nogueira, também não se pode dizer que “as pessoas são importantes” e depois “chumbar a atribuição automática de tarifa social da água, deixando quase cinco mil famílias carenciadas de fora”, ou “apregoar um concelho verde” e “não ter um plano integrado de urbanismo, de espaços verdes e naturais e de mobilidade”.

O candidato sublinhou que é preciso garantir a oferta de veículos alternativos e de transportes públicos que sirvam efetivamente a população e uma política de apoio aos Projetos Educativos dos Agrupamentos e investimento na qualificação do ensino público.

Jorge Humberto Nogueira lamentou o “triste espetáculo dos autarcas do Oeste a defender as suas capelinhas na localização do Novo Hospital do Oeste”, sem sequer “concordarem num estudo de localização”, e em vez de “estarem unidos a defender a inscrição das verbas necessárias para que seja construído”.

O professor, investigador e ativista denunciou a carência de recursos humanos e a falta de condições no Centro Hospitalar do Oeste, e nos centros de saúde. E alertou para a ausência de creches públicas e as listas de espera para lares, centros de dia, apoio domiciliário, cuidados continuados.

Jorge Humberto Nogueira deixou um compromisso: que continuará “a trabalhar para e com a nossa gente, por um concelho mais justo, com futuro de qualidade, por melhores políticas públicas, pela igualdade, pela inclusão, pelo pluralismo, pela democracia e pelos direitos humanos”.

“A governança do concelho tem trabalhado em prol das elites locais”

Pedro Pisco, cabeça-de-lista à Assembleia Municipal, assinalou que, “desde as primeiras eleições livres, a governança do concelho tem trabalhado em prol das elites locais”.

“Os dinheiros públicos servem de alavancagem para os negócios privados, reservando-se migalhas dos sucessivos orçamentos para o que é realmente importante – a supressão das carências das populações integrada numa política ambiental sustentável que realmente combata a situação de urgência climática que se agrava a cada dia que passa”, referiu o candidato.

Pedro Pisco acrescentou que Torres Vedras é “um concelho montado à medida para gerir o dinheiro público no melhor interesses dos poderosos do PS local”.

O administrador de sistemas em tecnologias de informação, dirigente partidário e ativista lembrou que “está na génese do Bloco correr atrás dos direitos sonegados aos mais desfavorecidos, lutar pela dignidade de todas e todos, pela igualdade plena”.

E apontou prioridades: dar resposta à crise económica e social; garantir o direito à habitação digna;
lutar pelo clima e mudar a mobilidade; combater as desigualdades sociais e reforçar os serviços públicos; defender a igualdade plena; e lutar pela democracia, transparência e combate à corrupção.

Pedro Pisco realçou a necessidade de “trabalhar em prol de uma sociedade local mais justa onde somos todas e todos torrienses de pleno direito”.

Trabalhar para “uma freguesia mais justa”

Carolina Vieira, nº 2 da lista à Junta de Freguesia de Santa Maria, São Pedro e Matacães, escolheu Torres Vedras como local para morar há quatro anos e sentiu na pele o que é ser mulher e imigrante.

A candidata quer continuar a trabalhar para “uma freguesia mais justa” e a lutar para “combater o preconceito e a discriminação de género, a discriminação racial, a discriminação de pessoas LGBTQIA+, a discriminação relacionada com a classe social e qualquer outra forma de opressão e violência contra grupos minoritários”.

Carolina Vieira enfatizou também a necessidade de “trabalhar em conjunto com todas as freguesias de Torres, promovendo projetos e parcerias que elevem ainda mais os seus pontos fortes e que agreguem valor à economia local”.

“É por essa ideia da resposta à crise e de comunidade que se cuida que nos batemos”

Catarina Martins defendeu que “a política tem de ser a resposta a toda a comunidade que na sua diversidade a constrói e nela trabalha” e que “essa representatividade também tem de estar nas listas” de candidatas e candidatos.

A coordenadora do Bloco lembrou que, em junho 2020, o deputado municipal João Rodrigues “alertou para a necessidade de acompanhamento dos trabalhadores migrantes do concelho e para o facto de estarmos numa pandemia e de se aproximar um período de muita intensidade na agricultura”, sublinhando a necessidade de verificar “se as condições sanitárias estavam a ser respeitadas”.

À época, João Rodrigues propôs um levantamento da situação e exigiu a “atuação clara do poder local no sentido de assegurar a proteção deste trabalhadores e com eles de toda a comunidade”, assinalou Catarina Martins.

“O PS chumbou qualquer proposta” e, na verdade, “tivemos três surtos, mais de 300 trabalhadores agrícolas migrantes infetados e só aí houve uma atuação de emergência”, em que se verificou que existiam “mais de dois mil trabalhadores aqui sem condições de habitação condigna”, continuou a dirigente bloquista.

“Tratar todas as pessoas por igual e exigir os direitos do trabalho, da habitação, do acesso à saúde, à educação de que é feita a democracia, é esta a proposta do Bloco de Esquerda”, que “se construa uma comunidade que se cuida e que sabe que é feita de origens diferentes e tem orgulho nisso”, afirmou Catarina Martins.

De acordo com a coordenadora do Bloco, “é por essa ideia da resposta à crise e de comunidade que se cuida que nos batemos nestas eleições”.

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