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“Tivemos força e cumprimos. Teremos mais força e cumpriremos”

Catarina Martins encerrou a Convenção do Bloco de Esquerda com a certeza de que "alcançaremos a força para ser parte de um governo quando o povo quiser”.
Foto de José Sena Goulão/Lusa

“Os últimos dois anos foram difíceis e exigentes, mas os próximos tempos vão exigir muito mais”, afirmou a coordenadora do Bloco no encerramento da XI Convenção do partido.

Sublinhando que “o trabalho ativista que faz do Bloco um grande partido é o que no fim do dia conta mesmo para fazer a diferença”, Catarina defendeu que “o caminho contra a austeridade foi possível porque houve uma convergência que foi um sucesso para Portugal”.

“Lutamos para a maioria e não nos esquecemos de ninguém. Para o Bloco, palavra dada é palavra cumprida”, sublinhou a coordenadora bloquista, que deixou ainda uma palavra aos professores: “não os abandonamos, queremos derrotar o Decreto Lei com a imposição governamental do corte das suas carreiras”.

“Com o aumento das pensões e do salário mínimo, com a redução das propinas e gratuitidade dos manuais escolares, não há família em que os idosos ou os pais ou os filhos ou as netas não sejam beneficiados”, prosseguiu Catarina Martins, lembrando também o momento em que “a legislatura esteve em risco”, quando o governo decidiu compensar os patrões pela subida do salário mínimo com uma redução da TSU. “Queríamos e conseguimos o aumento do salário mínimo, mas não damos com uma mão e tiramos com outra. É por isso mesmo que gostamos dos contratos assinados, e ainda bem que o governo aceitou uma solução alternativa, manteve a TSU e aumentou o salário mínimo”.

Mas as conquistas alcançadas nos últimos anos não disfarçam o estado em que este “país de vidas duras” se encontra, prosseguiu Catarina. “Temos uma economia refém de setores rentistas e de grandes interesses económicos internacionais e o resultado é uma dívida externa grande demais, pública e privada, um território desigual, uma floresta vulnerável, empresas descapitalizadas e associações empresariais obcecadas com a recusa do contrato coletivo dos trabalhadores”.

Entre as reformas estruturais de que o país precisa, Catarina destacou cinco: “restabelecer o consenso constitucional sobre o serviço nacional de saúde”, com a aprovação da Lei de Bases da Saúde em 2019; garantir a universalidade do Estado Social para responder ao desafio demográfico, revertendo as políticas da direita que “impuseram todas as condições para que ter um filho seja uma forma de empobrecimento”; combater as alterações climáticas, com a baixa dos preços dos passes sociais, o investimento em transportes públicos elétricos e o apoio à adoção de energias limpas; o controlo público do sistema bancário e da energia, cujos resgates e tarifas dispararam após as privatizações; e trazer transparência à condução das políticas públicas.

“Queremos um governo capaz de cumprir perante o nosso povo estas obrigações no serviço nacional de saúde, no investimento nos serviços para as pessoas, na protecção da parentalidade, na reconversão ambiental, na transparência pública. Trabalharemos para esse governo exista, para  que esse governo cumpra”, sublinhou Catarina.

“Não nos perguntem por isso se queremos fazer parte do próximo governo que ainda não foi eleito, porque temos a certeza de que alcançaremos a força para ser parte de um governo quando o povo quiser; perguntem-nos antes se é possível agora um governo que cumpra a saúde, a escola, as pensões, o emprego, e a nossa resposta é que sim, que é difícil mas que é necessário e que trabalhamos para isso”, concluiu a coordenadora do Bloco.

Termos relacionados Política, XI Convenção
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