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Tensões entre Atenas e Ankara crescem no Mediterrâneo

A escalada de tensão entre a Grécia e a Turquia na disputa pelas reservas de energia no Mediterrâneo continua. Esta quinta-feira, a Grécia colocou as suas forças militares em alerta máximo, cancelando as férias dos seus oficiais.
Navio de prospeção turco Oruç Reis, com escolta de navios militares. Fonte: Agência Lusa.

Ankara enviou um navio de prospeção acompanhado de navios militares para realizar análises sísmicas de prospeção de gás e petróleo na zona marítima contestada entre os dois países. Atenas denunciou a iniciativa como “ilegal”, sendo acompanhada por pressão diplomática dos Estados Unidos da América, França e Israel sobre Ankara.

As atividades de prospeção, que foram acompanhadas de exercícios militares navais da Turquia no Mediterrâneo, são transversalmente consideradas ilegais, uma vez que estarão a ser realizadas em zonas marítimas disputadas, sem acordo definido ou sentença de algum tribunal internacional.

“O nosso país não ameaça ninguém, mas também não pode ser chantageado”, disse o primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, numa comunicação ao país esta quarta-feira. “O risco de um acidente cresce quando o número de forças militares se junta numa área limitada”, acrescentou.

Emmanuel Macron exigiu publicamente que a Turquia parasse as suas atividades exploratórias, e anunciou um reforço de presença militar francesa na área. O ministro das forças armadas de França confirmou a decisão, enviando dois caças Rafale e uma fragata para a zona.

As atividades de prospeção turcas devem “cesar de forma a permitir diálogo pacífico entre membros vizinhos da NATO”, disse Emmanuel Macron num tuíte onde acusa a Turquia de “decisões unilaterais” para provocar tensões.

Em julho, uma iniciativa similar por parte de Ankara quase levou os dois países a um incidente militar de facto, evitado pela intervenção de Angela Merkel junto do presidente da Turquia. Erdogan aceitou, então, manter o navio de prospeção no porto enquanto os esforços diplomáticos continuavam para acordar as delimitações entre as ilhas gregas e o território continental turco.

O responsável máximo pela política externa da União Europeia, Jospe Borrel, descreveu a mobilização de forças navais como “extremamente preocupante”. Por seu lado, o ministro dos Negócios Estrangeiros grego, Nikos Dendias, irá reunir com o seu homónimo dos EUA, Mike Pompeo, para discutir a situação.

As tensões entre os dois países são históricas. Mas este passo de Ankara elevou-as para um patamar que não era atingido desde o século passado. O primeiro-ministro grego afirmou que “não haverá tolerância. A Grécia defenderá a sua integridade territorial e direitos soberanos”.

Atenas insiste que todas as suas ilhas, independentemente do seu tamanho, têm a sua própria placa continental; Ankara argumenta que, se esta regra fosse seguida à letra, o mar Egeu tornar-se-ia num lago grego, algo que a Turquia considera inaceitável.

A descoberta de vastos depósitos de gás nesta zona do Mediterrâneo, apesar de estarem longe de serem explorados, criou uma nova corrida para garantir domínio marítimo na zona. As reservas são suficientes para, no caso de Israel e do Egipto, lhes garantir soberania energética no futuro próximo.

"Mini-colisão" entre navios gregos e turcos

A Reuters noticia uma "mini-colisão" entre navios militares dos dois lados, no que fonte oficial do Ministério da Defesa de Atenas descreve como um acidente que terá ocorrido esta quarta-feira. 

Segundo a mesma fonte, a fragata grega Limnos, em rota de interseção do navio de prospeção turco, Oruç Reis, foi barrada por um navio de escolta turco, o Kemal Reis. Ao tentar evitar a colisão, a popa navio grego acabou por tocar na ré da escolta turca.  

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