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“Tenho pena que o PAN não compreenda a importância de um Estado Social forte”

No debate entre Catarina Martins e André Silva verificou-se grande convergência sobre bem-estar animal e ambiente e divergência sobre Estado Social e setor financeiro.
Debate entre André SIlva e Catarina Martins na SIC Notícias, moderado por Clara de Sousa
Debate entre André SIlva e Catarina Martins na SIC Notícias, moderado por Clara de Sousa

Catarina Martins começou por assinalar uma “enorme convergência” com o PAN sobre “temas de bem-estar animal, direitos dos animais, também sobre questões climáticas e questões ambientais”, sublinhando as questões feitas em conjunto, “até pioneiras”.

“Julgo que foi a primeira vez que houve um projeto comum de dois partidos, que não tinham nenhum acordo entre eles, nem uma coligação. Foi para parar a prospeção de petróleo”, destacou a coordenadora do Bloco, que apontou a seguir “outras matérias em que nós temos diferenças”.

“Para nós é importante, (…) uma questão de esquerda seguramente, que o Estado Social é igual para todos”, que toda a gente é “tratada por igual” na escola pública, na universidade, no SNS, “tem o mesmo acesso gratuito e universal”, porque “o pagamento do Estado Social é feito através dos impostos” assinalou Catarina Martins, sublinhando que é uma questão de democracia, que “o PAN não valoriza da mesma maneira”. A coordenadora do Bloco apontou ainda outras questões, que por exemplo “têm a ver com a relação entre a democracia e o sistema financeiro”. “ No seu programa, o PAN propõe o plafonamento da Segurança Social, que como o André Silva sabe é um projeto da direita há 30 anos” criticou Catarina Martins, assinalando que a direita não apresenta o plafonamento agora, que aparece pela mão do PAN.

No vídeo abaixo pode ver o debate na íntegra entre Catarina Martins e André Silva (PAN) na SIC Notícias:

Salientando que a Segurança Social é um sistema de solidariedade, a coordenadora bloquista criticou a posição do PAN. “Quando dizemos que quem ganha mais vai deixar de descontar para a Segurança Social para passar para um PPR privado, um seguro privado, estamos a dizer que há uma parte das receitas da Segurança Social, que são tão importantes para valorizar as pensões, que deixam de ir para o sistema de todos, que é solidário, para irem para o sistema financeiro”, realçou.

André Silva reconheceu grande convergência em matéria climática e garantia haver também convergência em igualdade de direitos e em relação ao Estado Social. Em relação ao plafonamento na Segurança Social, o líder do PAN defendeu “que o Estado não pague pensões milionárias”, abrindo a possibilidade de descontos para capitalização. Catarina Martins alertou para alguma incompreensão do sistema (ver vídeo abaixo)

Emergência climática

André Silva reconheceu que o Bloco dá prioridade ao combate à emergência climática e o debate mostrou grande convergência entre os dois partidos, em relação às propostas para combater a emergência climática.

“Pomos as questões da economia nas questões da emergência climática” apontou Catarina Martins, sublinhando que a resposta à urgência climática “exige investimento na ferrovia e retirar os carros da cidade”. Defendeu também uma reconversão da indústria, uma reconversão energética, “o tipo de energia que utilizamos”, e a “transformação do território seja nas florestas, seja na agricultura”.

Em relação às barragens, o líder do PAN concordou com o Bloco e defendeu que não são necessárias grandes barragens, criticando a “transformação do Alentejo num imenso olival” e uma política completamente errada.

André Silva defendeu também a democratização da produção da energia, “o autoconsumo”. Catarina Martins concordou com a produção descentralizada de energia, mas alertou para o facto de o nosso país não controlar a gestão global do sistema elétrico. “Acreditamos que o Estado chinês vai resolver por nós a nossa capacidade de produção de energia?”, questionou Catarina Martins. André Silva defendeu que uma regulamentação forte pode garantir a neutralidade carbónica em breve ao que Catarina retorquiu: “André, com 50 milhões de euros o Estado pode ter o controle do sistema de gestão global de energia, podemos ou não fazer isso?” “O PAN acha que devemos ir pedir ao Estado chinês que tenha cuidado com o clima?”, perguntou ainda a coordenadora bloquista.

 

A concluir, Catarina Martins afirmou: “Tenho pena que o PAN, que compreende a solidariedade no que respeita ao ecossistema, não compreenda depois a solidariedade necessária para o que é fundamental numa democracia: um Estado Social forte”.

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