O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê um aumento acentuado das temperaturas já a partir desta quinta-feira, dia 22 de junho. Este fenómeno é justificado pela “imposição de uma crista anticiclónica entre o Golfo da Biscaia e o arquipélago da Madeira”, que “dará origem a uma circulação que trará em altitude uma massa de ar com origem no Norte de África, favorável a uma situação meteorológica de tempo quente, seco e estável”.
O IPMA refere que a subida generalizada dos valores da temperatura se fará sentir especialmente nas temperaturas máximas. De acordo com este instituto, são de esperar valores acima de 30°C na generalidade do território, com exceção de alguns locais na faixa costeira ocidental, e valores entre os 35 e 40°C no interior, em especial na região Sul onde deverão ser ultrapassados os 40°C.
Ainda que de forma menos expressiva, a temperatura mínima também irá aumentar. São expectáveis noites tropicais, com temperaturas mínimas acima de 20°C, em vários locais do Centro e Sul. Na região do Sotavento Algarvio, as mínimas poderão, inclusive, aproximar-se dos 25°C.
O IPMA irá acionar avisos de tempo quente na região sul, com as temperaturas máximas a registar uma subida generalizada de 4 a 7°C. Os avisos deverão ser estendidos a outras zonas do país, sendo possível que apenas o litoral da zona Norte e a costa da zona Centro escapem à advertência. No final do mês de junho poderá ocorrer uma onda de calor.
Associadas a valores baixos da humidade relativa do ar, estas condições meteorológicas traduzir-se-ão num aumento significativo do Perigo de Incêndio Rural (PIR). O IPMA alerta que inúmeros concelhos do interior Norte e Centro, e da região Sul, serão classificados com valores de PIR máximo ou muito elevado, o que terá “implicações na restrição ao uso do fogo e das atividades permitidas em meio rural”.
É ainda de assinalar que o índice de radiação ultravioleta irá atingir valores muito elevados.
Em declarações ao jornal Público, o responsável pela área técnica de previsão meteorológica do IPMA, assinala que “esta onda de calor não tem nada de anormal”.
“Se olharmos para o boletim de 2022, veremos que houve uma onda de calor em Junho, mais cedo do que agora, e que ultrapassámos os 40 graus Celsius. Este ano, estamos à espera de, nalguns sítios, chegar aos 42 e possivelmente até aos 43 graus. É uma onda um pouco mais forte, mas não é excecional como foi a de Julho de 2022 – essa, sim, foi excecional. Não estamos à espera de que sejam batidos recordes de temperatura”, refere Nuno Lopes.
De qualquer forma, o meteorologista alerta que “vamos entrar num período de tempo quente, que não tem propriamente fim à vista, com especial incidência da zona do vale do Tejo para Sul”.