“Temos que exigir que a Caixa sirva o interesse público”, defende Catarina Martins

20 de junho 2018 - 17:57

No debate quinzenal com António Costa, Catarina Martins questionou o primeiro-ministro sobre o encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos em mais de 20 localidades. “O que está em causa é deixar populações inteiras sem acesso a serviços bancários”, afirmou.

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“Temos que exigir que a Caixa sirva o interesse público”, defende Catarina Martins
Foto de Miguel A. Lopes/Lusa.

No debate quinzenal com o primeiro-ministro, Catarina Martins referiu o encerramento de balcões da Caixa Geral de Depósitos um pouco por todo o país e quis saber quais os planos do governo para impedir estes encerramentos e defender os interesses das populações afetadas. Encerraram balcões em 20 localidades portuguesas, sendo que, em alguns casos, estes eram os únicos balcões nas freguesias. Existindo ainda planos para fechar também as caixas multibanco.

“O que está em causa é deixar populações inteiras, especialmente as mais isoladas, mais pobres e mais idosas, sem acesso a serviços bancários. E isto foi feito nas costas das populações, dos autarcas e do Parlamento”, denuncia a coordenadora do Bloco de Esquerda.

Catarina Martins relembra que foram várias as ocasiões em que o Bloco pediu à Caixa Geral de Depósitos e ao governo a lista de balcões a encerrar e os critérios para essas decisões, não tendo obtido respostas.

O Bloco de Esquerda considera ser dever do governo “defender o interesse público e orientar a ação do banco estatal” para o mesmo. “E até agora ainda não ouvimos uma única palavra do governo sobre estes encerramentos”.

Dando um exemplo da falta de critérios destes encerramentos, Catarina Martins referiu o balcão de Pedras Salgadas, que dá lucro: “é no interior, tem população idosa. Vai encerrar porquê?”, bem como a sucursal da Caixa Geral de Depósitos em França. “Serve a população imigrante, contribuiu para resultados positivos da Caixa Geral de Depósitos, vai encerrar porquê?”.

“Como é que nós podemos ter uma política para o interior se abdicamos até da intervenção do Estado enquanto accionista do seu banco público? Recapitalizámos a Caixa, sim, e agora temos de exigir que sirva o interesse público, não menos do que isso”.

Ainda no debate quinzenal, a coordenadora do Bloco apelou a que o governo “chame com urgência o embaixador norte-americano para lhe transmitir o repúdio de Portugal pela detenção de crianças e pela decisão de abandonar o Conselho para os Direitos Humanos da ONU”.