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“Temos de aproveitar capacidade da nossa economia para investir onde é preciso”

Catarina Martins defendeu que “este é o tempo de investir” em setores essenciais como a saúde, a educação, os transportes públicos ou a habitação, apontando ainda que a economia está a crescer muito mais do que os salários, o que indica que a riqueza gerada no país não está a ser bem distribuída.
Debate televisivo entre os seis líderes dos partidos com assento parlamentar. Foto de Paula Nunes.

Durante o debate televisivo entre os seis líderes dos partidos com assento parlamentar, a coordenadora bloquista valorizou esta legislatura por tudo o que correu bem, lembrando que se deram passos muito importantes em áreas fundamentais nestes últimos quatro anos. Em causa está, nomeadamente, a reposição dos quatro feriados, o aumento do salário mínimo nacional, o descongelamento de pensões e o facto de o país se ter protegido das privatizações, garantindo que os transportes coletivos em Lisboa e Porto e a TAP ficassem na esfera pública.

Por outro lado, Catarina Martins assumiu que existiram “divergências conhecidas sobre o sistema financeiro”, fazendo referência à medida de resolução aplicada ao Banif com o apoio do PSD.

A dirigente do Bloco frisou que, “se o Banif foi mal resolvido com a desculpa da pressa e da surpresa”, argumentos com o qual o partido não concorda, “tal argumento não cola quando olhamos para a péssima solução para o Novo Banco” que consumiu largos milhões de euros do erário público que deviam ser canalizados para setores essenciais.

A falta de investimento nos serviços públicos também mereceu críticas por parte de Catarina Martins, que assinalou ainda o atraso na reversão dos cortes da troika.

No que concerne à legislação laboral, a coordenadora do Bloco recordou que o PS recuou nos compromissos assumidos. Para Catarina Martins, o alargamento do período experimental para jovens e desempregados de longa duração, que motivou um pedido de fiscalização sucessiva ao Tribunal Constitucional por parte do PCP e Bloco, que está atualmente a ser ultimado, é indefensável. Os bloquistas consideram que o combate à precariedade é uma prioridade, apontando que o governo socialista não deu resposta à utilização abusiva do trabalho temporário e de curta duração.

“Este é o tempo de investir"

Reagindo aos números divulgados esta segunda-feira pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que “corrigiu os números", revelando um “crescimento económico maior", a coordenadora bloquista afirmou que a direita, que “já não tinha coragem de acabar com o que foi reposto”, vê agora o argumento da carga fiscal ficar mais difícil.

“Sempre dissemos que o que aumentou foi a receita fiscal porque há mais gente a trabalhar”, notou, salientando que estes dados dão razão ao Bloco.

Catarina Martins alertou, contudo, que “a capacidade que a nossa economia tem para investir onde é necessário não está a ser aproveitada”, destacando a saúde, educação, transportes públicos e habitação.

"Não é este o primeiro ano em isso que acontece. Nunca é executado todo o investimento que estava orçamentado", frisou, referindo que, “este ano, há um buraco de 1500 milhões de euros que [o ministro das Finanças] não vai executar”.

“É preciso executar, sim. Este é o tempo de investir", defendeu Catarina Martins, apontando ainda que a economia está a crescer muito mais do que salários, o que indica que a riqueza gerada no país não está a ser bem distribuída, concentrando-se na mão de uns poucos enquanto a maioria não vê refletido nos seus rendimentos este crescimento.

Durante o debate, a dirigente bloquista fez também referência à emergência climática, que “tem efeitos sociais, ambientais e económicos gravíssimos”, e chamou à atenção “para outras crises: as guerras comerciais de Trump e a eventual crise da Alemanha”.

Catarina Martins deu ainda destaque à proposta bloquista no sentido da reabilitação de casas para a habitação: “Resolve o problema da crise da habitação, cria muito emprego de forma transversal e é um investimento seguro porque as pessoas pagam as rendas das suas casas”, frisou.

"Não se queimam pontes quando se querem fazer pontes"

Lembrando que, no último mês, o PS “apelou à maioria absoluta para se livrar dos empecilhos de esquerda”, Catarina Martins lamentou que Rui Rio e António Costa, no debate que protagonizaram de manhã, tenham “atacado o Bloco sem que o Bloco estivesse lá”.

Para que a história do que foram estes últimos quatro anos não seja reescrita, a coordenadora bloquista recordou que, no último debate antes das legislativas de 2015, manifestou abertura para “apoiar um governo de esquerda se se acabasse com os cortes nas pensões".

“Já que aqui estamos os dois, lembro-lhe que há um ano desafiei-o para um entendimento. Uma situação que considerou ser um golpe de teatro, numa tentativa de ataque pessoal”, apontou.

"No domingo de manhã, no dia das eleições [4 de Outubro de 2015], os nossos dois partidos reuniram-se e o PS sabe que estávamos disponíveis para uma nova solução governativa", continuou Catarina Martins, vincando que “não se queimam pontes quando se querem fazer pontes".

Referindo não saber se “o PS está zangado com os últimos quatro anos”, a dirigente bloquista garantiu que “o Bloco não está e quer continuar a trabalhar”.

“A estabilidade da vida das pessoas é mais importante do que ambições de poder absoluto”, afirmou, apontando para o futuro: "Achamos que é preciso, agora, investir em salários e pensões dignas".

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