Syriza discute programa e alianças este fim de semana

01 de janeiro 2015 - 19:50

O Syriza lança as bases para a conquista da maioria absoluta nas reuniões do Comité Central e da Conferência Permanente que se realizam neste primeiro fim-de-semana de Janeiro. Artigo do diário Avgi.

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Alexis Tsipras numa das reuniões abertas sobre o programa político a apresentar nas eleições pelo Syriza.

O Syriza lança as bases para a conquista da maioria absoluta nas reuniões do Comité Central e da Conferência Permanente que se realizam neste primeiro fim-de-semana de Janeiro. Nestas terá papel destacado, por um lado, a discussão do programa completo de governo – o chamado Salónica Plus –, que será apresentado por Alexis Tsipras na tarde de sábado, e, por outro, a política de alianças, na qual não se farão, porém, concessões relativamente  à proposta que o Syriza propõe para a saída da crise.

Após os ecos muitos positivos que teve a apresentação do programa em Setembro passado em Salónica, agora o principal partido da oposição está a preparar-se para o  segundo e mais importante passo: a apresentação do programa completo de governo  que vai propor aos cidadãos nas eleições legislativas. Trata-se de um programa completo, realista e quantificado que demonstra, nomeadamente, que existe uma proposta para pôr fim aos memorandos e às suas consequências. Enquanto – como demonstraram os primeiros dias de debate eleitorais – a ND não tem mais nada para  mostrar senão a propaganda anti-Syriza que se socorre de todos os meios possíveis e imaginários (distorção, etc.), no principal partido da oposição trabalha-se, desde há muito, tendo em conta as responsabilidades que o povo lhe vai confiar com o seu voto.

Vitória e maioria absoluta

No principal partido da oposição, há a certeza da vitória  eleitoral – todas as sondagens o confirmam –, mas entende-se que se deve fazer um esforço suplementar para "segurar" a maioria parlamentar absoluta, resultado eleitoral que, no fim de contas, pode garantir a resolução dos problemas.

Tal não significa que o Syriza fecha as portas a toda e qualquer colaboração: «Os nossos adversários gostariam de nos ver isolados, mas não vamos fazer-lhes esse favor», é a frase atribuída a AlexisTsipras na reunião de anteontem do Secretariado Político.

Os termos do Syriza

Parcerias mas com regras e princípios e sem regateios – que o partido da esquerda radical, aliás, nunca fez, nem durante o processo de eleição presidencial, no qual até mesmo um voto podia ser crítico. Todos os candidatos, além disso, sejam eles membros do Syriza ou aliados, serão sujeitos a um código de conduta, já aprovado pelo Secretariado Político. É uma questão a que o Syriza atribui especial importância, dado o património ético da esquerda, relativamente ao qual  não se admite qualquer desvio. Embora, como, note-se, sublinhou o presidente do Syriza, «a possibilidade de nos tornarmos como o PASOK, como alguns dizem, dependa do facto de permitirmos que apareçam fenómenos do tipo do PASOK.»

Também não houve desvios relativamente à proposta programática do Syriza: as posições e compromissos de base, por exemplo, para revogar os memorandos e anular a maior parte da dívida. «O Syriza não dilui o seu programa», observou uma figura central da oposição que acrescentou: «O Syriza não entra em regateios».

Outra posição axiomática do Syriza é que não oferece aos seus aliados posições elegíveis no círculo nacional, como fazem os Srs. Samarás e Theodorákis*. Todos são bem-vindos, mas deverão passar pelo crivo do julgamento dos milhares de eleitores que escolhem Syriza. É nestes termos que decorrem as negociações entre o  principal partido grego da oposição e os outros partidos e movimentos com vista à repartição dos candidatos nas listas eleitorais.

É por este prisma que devem ser vistas as «nuvens» que nas últimas horas se acumularam sobre as negociações de cooperação entre o Syriza e o Dimar. Estas ainda estavam a decorrer à hora de fecho desta edição, momento em que foi decidido realizar uma reunião da Mesa alargada do Grupo Parlamentar, que irá preparar a reunião de sexta-feira do Comité Central, que terá como principal objecto as listas eleitorais e a política de alianças e cujos trabalhos terão início às 15 horas no Cinema «Kerameikos».

Por último, a liderança do Syriza chamou a atenção de todos os dirigentes e candidatos para terem o máximo cuidado com as posições públicas que proferem, visto que que, dada a identificação completa do governo com os credores e os memorandos, a máquina de patranhas deverá continuar a ser a principal arma eleitoral de Antonis Samarás.


Tradução de Manuel Resende a partir da notícia publicada na edição de 1 de janeiro do diário Avgi.

* Nota: no sistema eleitoral grego, há, para além dos círculos eleitorais de base regional, um círculo nacional (psifodéltio epikrateias). Enquanto nos círculos «normais» os eleitores podem votar nominalmente nos candidatos (votos de preferência), determinando a posição final destes nas  listas, no círculo nacional (12 candidatos) é o partido que determina a posição do candidato; assim, um candidato colocado numa posição elegível tem garantida a sua passagem a deputado.