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Supressão de comboios na linha de Sintra: Bloco diz que direito à mobilidade está em causa

Largas de dezenas de supressões de viagens na linha de Sintra geraram a indignação dos utentes. O Bloco de Esquerda recorda que tem lutado contra a degradação do serviço público de transportes nesta linha. E a FECTRANS denuncia que os problemas se devem à falta de contratação de trabalhadores.
Foto de Paulete Matos

Os últimos dias na linha de Sintra ficaram marcados por supressões. Foram, pelo menos, cerca de 70 no início desta semana, gerando indignação nas horas de ponta. Atrasos, comboios a abarrotar e calor insuportável dentro das composições foram alguns dos motivos de queixa dos utentes.

Em comunicado, a CP explica que os comboios têm sido suprimidos “devido ao excesso de imobilizações de material circulante”. Os comboios em falta estão para “reparação ou para manutenção”. A empresa admite que os cortes se fazem sentir “com mais incidência nas horas de ponta da manhã e da tarde, dado que são os períodos do dia em que existem mais comboios a circular, logo as necessidades de material circulante são superiores”. Mas não informa sobre o que acontecerá a curto prazo e quando a normalidade será restabelecida, limitando-se segundo a Lusa, a afirmar que “a CP e a EMEF estão a trabalhar para que, no mais breve espaço de tempo possível, sejam repostos os níveis de disponibilidade do material circulante, o que deverá ocorrer nos próximos dias”.

Apesar de, desta feita, terem sido mais concentrados, os cortes de comboios nesta linha são tudo menos inéditos. A linha de Sintra tem assistido frequentemente a supressões e atrasos há muito tempo sem que estes cheguem aos noticiários. O Bloco está atento ao assunto e tem tomado posição sobre a questão frequentemente. A concelhia de

Sintra do partido lembra que, por exemplo, “tem levado o assunto com regularidade à Assembleia Municipal de Sintra, exigindo à autarquia maior pressão sobre as entidades responsáveis.”

O Bloco de Sintra vinca que esta linha “é determinante para a economia do concelho e do país, o seu bom funcionamento é fundamental para garantir o direito à mobilidade e sustentabilidade ambiental” e, por isso, reitera a sua preocupação “com a degradação dos serviços na linha de Sintra, problema que não é de agora mas está a enfrentar um agravamento e que representa transtornos para a vida das pessoas e riscos para a sua segurança”.

Por exemplo em julho de 2018, o deputado municipal André Beja, em declaração política na Assembleia Municipal já tinha denunciado a degradação do serviço na linha de Sintra afirmando que “as carências por trás desta política de redução de oferta, que mais se assemelha a uma política de terra queimada, não resultam de situações pontuais mas sim, como vimos dizendo com insistência, de décadas de desinvestimento nas infraestruturas e material circulante, bem como do desinvestimento na força de trabalho, com precarização crescente e redução dos meios humanos disponíveis.”

Por sua vez, a FECTRANS, Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações, tomou posição sobre estas supressões realçando que “é preciso contratar trabalhadores”. Em comunicado, a federação sindical considera que “os

problemas estruturais destas empresas” são causados “em grande parte” pela falta de trabalhadores: “na CP e na EMEF faltam trabalhadores, que tem como consequência a falta de material circulante ou a falta de trabalhadores para guarnecer os comboios”.

A FECTRANS prevê que, com o verão, “a situação agravar-se-á”. E questiona: “será que querem criar as condições para justificar a retomada dos projectos privatizadores destas empresas, de modo a que sejam socializados os custos e privatizados os resultados positivos?

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