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Subida do nível do mar vai provocar 280 milhões de deslocados, diz ONU

O novo estudo do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas alerta para as consequências das alterações climáticas nos oceanos e na criosfera até ao fim deste século.
Cheia no Sudão.
Cheia no Sudão. Foto Andrew Heavens/Flickr

Declínio da quantidade de peixe, falta de água potável, aumento da frequência dos furacões e tornados, inundações anuais em cidades costeiras, 280 milhões de pessoas obrigadas a fugir das suas terras: estas são algumas das consequências das alterações climáticas provocadas por ação humana que o planeta pode vir a sentir até ao final deste século. Segundo a agência France Presse, elas integram as conclusões do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas — o organismo da ONU que reúne o conhecimento científico sobre a evolução do clima — no relatório a apresentar ainda este mês. O IPCC reunirá no Mónaco de 23 a 27 de setembro, enquanto em Nova Iorque a ONU acolhe uma cimeira sobre o clima, convocada por António Guterres após a enorme mobilização global  da greve climática estudantil.

Na versão preliminar do relatório divulgada pela agência noticiosa, os cientistas preveem que 30 a 99% da parte da superfície terestre congelada, a criosfera, deixe de o ser até ao fim do século. O estudo analisa o impacto das alterações climáticas também nos oceanos, que absorveram um quarto das emissões de gases com efeito estufa desde 1980, reduzindo a concentração de oxigénio em ambientes marinhos, aumentando a temperatura e a acidez da água. Uma tendência que está a agravar-se e que pode provocar a queda das reservas alimentares em 40% nas águas tropicais pouco profundas.

A subida do nível das águas deverá aumentar 43 centímetros até 2100 face ao final do século XX, caso se mantenha o aquecimento global em 2ºC. Se a temperatura média global subir 3ºC ou 4ºC, esse aumento do nível da água do mar poderá elevar-se a 84cm. Isto faz disparar o risco e a gravidade das consequências das inundações.

Os cientistas sublinham que já não são apenas os estados insulares ou as comunidades costeiras que estão em risco com o aumento dos fenómenos meteorológicos extremos. Por exemplo, a China tem dez cidades em risco, incluindo a mais populosa, Xangai. Os danos causados pelas “supertempestades” irão provocar o êxodo das regiões afetadas, com a ONU a prever que 280 milhões de pessoas possam ser obrigadas a sair das terras onde vivem.

O IPCC reagiu à divulgação desta versão preliminar sublinhando que ela não se destina à divulgação pública, uma vez que “o texto pode mudar entre as versões preliminares e a versão final, assim que o IPCC analisar cada linha". Para já, está disponível o sumário deste relatório que está a ser trabalhado desde abril de 2017. 

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