Está aqui

Subida do imposto de combustível é “absolutamente incompreensível”

Na Feira da Estela, Catarina Martins destacou que a resposta governo à crise a está a “agravar”, exemplificando com o congelamento de salários e a ausência de controlo de preços dos bens essenciais.
Catarina Martins na Feira da Estela. Foto de ESTELA SILVA/LUSA.
Catarina Martins na Feira da Estela. Foto de ESTELA SILVA/LUSA.

À margem de uma visita à Feira da Estela, na Póvoa de Varzim, Catarina Martins considerou “absolutamente incompreensível a decisão do governo de subir o ISP e com isso anular a descida esperada amanhã dos combustíveis”. Para ela, os combustíveis “têm tido preços absurdos que impedem toda a economia e a atuação do governo ao não permitir a baixa de preços vai prejudicar toda a gente”.

A medida soma-se a todas as outras com que o governo escolheu responder à crise mas acabaram por a “agravar”. Isto é “congelar salários e não permitir que acompanhem a inflação” e “não controlar os preços dos bens essenciais”, fazendo com que “Portugal seja dos países onde onde os bens alimentares mais sobem”.

O partido concretiza, porém, que “o ISP não é solução” e que tem dito que “é preciso haver controlo das margens dos preços da energia”. Para além do ISP é preciso descer “o IVA sobre a maior parte da eletricidade, ou sobre o gás natural é algo que não tem nenhum sentido quando as pessoas precisam de aquecer a casa”, descidas que têm de ser sempre acompanhadas, insiste-se, “por controlo de preços. senão vão ficar as petrolíferas e os grandes produtores de energia com o dinheiro que não é cobrado de impostos”.

É preciso criar urgências básicas

Na mesma ocasião, questionada sobre os problemas que têm atingido os serviços de urgência, a coordenadora bloquista propôs a criação de urgências básicas “ao lado das urgências médico-cirúrgicas”, o que “permitia desanuviar as urgências mais complexas”. Para ela, a criação deste modelo de urgência “foi feita de forma limitada” mas “devia ser generalizada” até dada a conjuntura de aumento de doenças respiratórias.

A porta-voz partidária pensa que “falta seguramente resposta no SNS” e lembrou que “a madrugada de hoje voltou a ter, nas urgências, mais de 10 horas de espera em atendimentos que seriam urgentes” como no Hospital da Póvoa de Varzim ou no Santa Maria, em Lisboa. À ideia de contratualização com privados, o partido contrapõe “que é preciso é contratar profissionais para o SNS e dar ao SNS condições de trabalho para receber os utentes” e vinca que “todos os anos se gasta mais dinheiro com os privados e todos os anos as pessoas estão com menos cuidados de saúde”. São precisos profissionais com “salários dignos para se entregarem em exclusividade ao SNS com progressão na carreira e condições de trabalho”.

Eutanásia: “vamos ter a lei João Semedo finalmente”

Outra das questões colocadas a Catarina Martins foi a da leia da eutanásia. Esta respondeu que “não há nenhuma razão para que em Portugal não tenhamos uma lei com esse respeito pelas pessoas que no fim da vida estão em grande sofrimento” já que há “maioria no Parlamento para ultrapassar um veto”.

O Bloco considera esta lei como “muito importante” porque “tem a ver com o respeito pela vida as pessoas até ao final”, “com a empatia, com o respeitar o sofrimento uns dos outros e respeitar a escolha que cada pessoa possa ter”. A sua dirigente sublinhou que “trabalhámos muito por ela” e que “João Semedo foi um dos seus proponentes e estou certa que vamos ter a lei João Semedo finalmente”.

Trata-se de uma questão “debatida há mais de 20 anos em Portugal”, que no Parlamento vai na terceira legislatura de debate: “ouviu-se toda a gente, estamos a fazer uma lei muito cuidadosa, bebe as melhores práticas internacionais e rejeita os perigos que internacionalmente foram vistos. Temos a melhor das leis e temos uma maioria no Parlamento para ultrapassar um veto”.

Termos relacionados Política
(...)