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Stephen Hawking (1942-2018)

O britânico Stephen Hawking, um dos mais importantes físicos teóricos e cosmólogos do mundo, morreu esta quarta-feira, aos 76 anos. O Esquerda.net recupera neste artigo as posições de Hawking sobre matérias como a desigualdade, a morte assistida e a utilização de armas autónomas ofensivas.
Em 26 de abril de 2007, Stephen Hawking, com 65 anos, fez um voo atmosférico em gravidade zero num jato da Nasa sobre o Oceano Atlântico. Foto de Jim Campbell/Aero-News Network, Wikimedia Commons.

Aos 21 anos, Stephen Hawking descobriu ser portador de Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), tendo-lhe sido dito que apenas viveria mais dois ou três anos. Contudo, o prestigiado físico teórico e cosmólogo britânico, que revolucionou o estudo dos buracos negros e deu-nos novas perspetivas sobre o tempo e sobre a origem do Universo, ultrapassou em mais de 50 anos o tempo de vida estimado.

A mobilidade de Hawking era praticamente nula, na medida em que foi perdendo o movimento dos seus braços e pernas, assim como do resto da musculatura voluntária, incluindo a força para erguer a cabeça. O cientista utilizava uma cadeira de rodas para se deslocar e um sintetizador de voz para comunicar. Não obstante todas as contrariedades, Stephen Hawking nunca abdicou de participar na comunidade científica.

“Vivi sob o espectro de uma morte precoce durante os últimos 49 anos. Não tenho medo da morte, mas não tenho pressa de morrer. Há tanta coisa que quero fazer primeiro”, afirmou ao Guardian em 2011. Hawking recusava a ideia de uma vida para além da morte: “Vejo o cérebro como um computador que deixará de funcionar quando os seus componentes falharem. Não há paraíso ou vida além da morte para computadores avariados; isso é um conto de fadas para pessoas com medo da escuridão”.

"Há uma diferença fundamental entre a religião, que se baseia na autoridade, e a ciência, que se baseia na observação e na razão. A ciência vencerá, porque funciona", sublinhava o físico teórico um ano antes, em junho de 2010, em entrevista ao canal americano ABC.

Em 2017, quando divulgou pela primeira vez a sua tese de doutoramento, intitulada Propriedades dos Universos em Expansão (escrita em 1966 quando ainda estudava na Universidade de Cambridge), afirmou que “ao tornar livre o acesso à minha tese, espero inspirar pessoas em todo o mundo a olhar para cima, para as estrelas, e não para baixo, para os seus pés”.

O objetivo de Stephen Hawking era “simples”: Procurava “um entendimento completo do Universo, da razão pela qual existe e pela qual existe sequer”.

Hawking destacou-se pelo seu trabalho na astrofísica, bem como pela divulgação científica, sendo autor do bestseller Uma Breve História do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros.

Nascido a 8 de janeiro de 1942 em Inglaterra, 300 anos depois da morte de Galileu, como gostava de recordar, o cientista morreu a 14 de março deste ano, no dia do nascimento de Albert Einstein, que é também o dia do Pi (3,14).

O Esquerda.net recupera um artigo escrito por Stephen Hawking em 2016, no qual o físico refere que “este é o momento mais perigoso para o nosso planeta" e defende que “não podemos continuar a ignorar a desigualdade, porque temos os meios para destruir o nosso mundo, mas não para escapar dele”:

Stephen Hawking: "Este é o momento mais perigoso para o nosso planeta"

Deixamos ainda a posição de Hawking sobre o direito à morte assistida e a proibição de “armas autónomas ofensivas” e lembramos a sua recusa em participar numa conferência patrocinada pelo Presidente Shimon Peres, em Israel, apoiando o boicote lançado por um grupo académico britânico em defesa da Palestina:

Stephen Hawking defende morte assistida

Chomsky e Hawking pedem proibição total de armas “inteligentes”

Termos relacionados Sociedade
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