“Somos filhas do SNS. Não privatizamos a maior conquista da democracia portuguesa”

28 de abril 2019 - 19:23

Catarina Martins reafirmou, este domingo no Porto, que o Bloco de Esquerda “leva a sério o repto de António Arnaut e João Semedo para salvar o Serviço Nacional de Saúde” e sublinhou que “Estado Social é futuro e não passado”.

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Catarina Martins - Foto de Paula Nunes
Catarina Martins - Foto de Paula Nunes

No comício realizado pelo Bloco de Esquerda, que teve lugar no Porto na tarde deste domingo, atuou Luca Argel e intervieram o fundador do Bloco Fernando Rosas, Sérgio Aires, candidato às eleições europeias, Marisa Matias e Catarina Martins.

A coordenadora bloquista começou por falar do festival de cinema Desobedoc, que o Bloco promove desde 2014 – há cinco anos, lembrando que “na altura dizíamos que precisávamos de reabrir os cinemas fechados da cidade” e que “a política não pode excluir a cultura”.

“Preocupáva-nos o crescimento do ódio, o desprezo pelo Outro, a arrogância da ignorância, que é a forma de matar a empatia a criatividade e o futuro”, salientou Catarina Martins, afirmando que “a obrigação da esquerda tem de ser o melhor que a ciência, a cultura, o conhecimento e a memória nos podem dar”.

“Somos filhas da resistência, somos filhas das bruxas que não queimaram, somos filhas das sufragistas”, declarou a coordenadora bloquista, recebendo grandes aplausos da sala, e elogiou os jovens que se manifestam contra o racismo e que exigem combate às alterações climáticas.

A coordenadora bloquista criticou a construção da União Europeia, “que foi feita para que as pessoas não tivessem papel” e as mentiras que são ditas sobre o que “não podemos fazer”, para, pelo contrário, afirmar: “nós podemos tomar todas decisões. Temos de reclamar o poder”.

“A democracia não é biombo de sala da União Europeia para fazer de conta que faz”, realçou ainda, sublinhando que “tem de ser o espaço inteiro da decisão”.

Catarina Martins denunciou então que “ao invés de controlar o sistema financeiro como nos foi prometido fez-se a sangria da maior riqueza da Europa para alimentar mais o sistema financeiro. A riqueza da Europa era clara, dos vários estados europeus, chama-se Estado Social”.

“Estado Social construído por todos nós, por quem trabalha”, sublinhou Catarina Martins, salientando educação, saúde, segurança social, solidariedade intergeracional, habitação e denunciando que se destrói essa riqueza social, se destrói os direitos do trabalho para proceder a uma financiarização gigantesca.

“Querem assaltar-nos. Estão a assaltar-nos”, acusou Catarina Martins e afirmou: “E nós estamos aqui para travar esse assalto”.

“Nós somos filhas do SNS e diremos, aqui e em todo o lado, que não privatizamos aquela que é a maior conquista da democracia portuguesa” prosseguiu Catarina Martins, e reafirmou “levamos a sério o repto de António Arnaut e João Semedo para salvar o Serviço Nacional de Saúde”.

Não branqueamos o fascismo”

Marisa Matias, na sua intervenção, criticou as declarações de Nuno Melo sobre o partido de extrema-direita Vox.

"Para algumas pessoas, o VOX não constitui uma ameaça. Ainda hoje li as palavras de Nuno Melo que não fez mais do que branquear a imagem política do Vox. Eu não me confundo. Partidos que defendem que se volte a agredir as mulheres sem punição, partidos que defendem uma agenda racista, xenófoba, que defendem os valores do fascismo, esses partidos não podem caber na democracia", defendeu a eurodeputada e sublinhou: "Não branqueamos o fascismo. Não branqueamos o fascismo".

Marisa Matias salientou ainda: "Estas forças que já ocupam espaço em 10 países da União Europeia, seja enquanto governo, seja em coligação, dizia-se que nunca chegariam aqui ao lado, ao estado espanhol, e que dificilmente chegam a Portugal. Veremos de que forma estão a chegar a Espanha e lutaremos para que nunca cheguem a Portugal".