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Sociedade de Pediatria defende reabertura faseada das escolas

SPP, Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos e Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente aponta, as consequências negativas do encerramento das escolas para o desenvolvimento das crianças e querem dar prioridade à reabertura do pré-escolar, 1º e 2º ciclos.
Criança a realizar tarefas escolares. Foto de Paulete Matos.
Criança a realizar tarefas escolares. Foto de Paulete Matos.

Um comunicado conjunto, assinado pela Sociedade Portuguesa de Pediatria, pela direção do Colégio de Pediatria da Ordem dos Médicos e pela Comissão Nacional da Saúde Materna, da Criança e do Adolescente, defende que se reabram urgentemente as escolas. Estas entidades vincam especialmente a necessidade de o fazer nos ciclos iniciais de ensino: o ensino pré-escolar e o 1.º e 2.º ciclos do ensino básico.

Argumentam que, nestas idades, o contacto com educadores e outras crianças tem um impacto importante no desenvolvimento psicomotor de competências básicas e que há menor risco de contagiosidade comunitária já que “desde o início verificou-se que as crianças eram pouco afetadas, apresentando em regra doença ligeira, com casos muito esporádicos de doença grave, e cedo se percebeu que, em contraste com outras doenças virais mais conhecidas, contribuíam pouco para a disseminação da doença”.

Defendem que o encerramento das escolas está a ter consequências ao nível do desenvolvimento, da aprendizagem, dos comportamentos, das rotinas e no relacionamento familiar e social. Mas também destacam que o impacto é diferenciado: “as crianças de risco social elevado, que têm na escola momentos de normalidade, de segurança e alimentação adequada, estão ainda mais propensas ao risco causado pelo distanciamento. Recordamos que, muitas vezes, é da escola que parte o primeiro alerta que dá início a investigação e medidas de proteção”.

Os pediatras defendem que “a aproximação ao normal poderá ter de ser faseada, com avaliação contínua e adequada, mas tem de ser rápida e programada de forma consistente”.

Para os restantes graus de ensino, a abertura “poderá ter de seguir uma progressão gradual, por ciclos de ensino, deixando os mais diferenciados, em que o os métodos de ensino não presencial colocam menos dificuldades, para mais tarde. Mas não esqueçamos a necessidade de socialização dos adolescentes, cuja saúde mental está em risco”.

Outro dos argumentos apresentados é que os planos para conter a disseminação da pandemia nas escolas foram eficazes, não tendo existido surtos relevantes que tenham tido origem aí. Alertam contudo que é preciso o reforço da vigilância epidemiológica para minimizar o risco associado à abertura das escolas que reconhecem existir.

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