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Socialismo 2012: "O modelo privatizador liquidou a social-democracia"

Na sessão de abertura, Luís Fazenda e Pedro Nuno Santos debateram "os caminhos do socialismo". O deputado do PS garantiu que nunca haverá uma cisão de esquerda no seu partido e Luís Fazenda defendeu o regresso à agenda da esquerda do tema da propriedade pública de setores fundamentais para financiar o Estado Social e as políticas socialistas.
Foto Paulete Matos

O Fórum Socialismo 2012 prossegue este fim de semana em Santa Maria da Feira. O Bloco convidou para a sessão de abertura o deputado do PS eleito pelo distrito e presidente da Federação do PS de Aveiro. "Quando me perguntaram se não é estranho vir aqui, respondi que estranho é ver membros do PS em iniciativas destas organizadas pelo PSD", afirmou Pedro Nuno Santos no início da sua intervenção, antes de se dirigir a quem defende um realinhamento à esquerda a partir de uma cisão no Partido Socialista. "Se alguém tem a expectativa de vir a construir um espaço à esquerda com uma cisão do PS, está enganado", avisou o deputado socialista. "Não há ala esquerda no PS, a haver são alas direitas", justificou Pedro Nuno Santos, explicando que "nós, os que temos uma posição mais determinada à esquerda, não sairemos nunca". "Sou social-democrata e o meu espaço é o PS", concluiu o deputado, elogiando o respeito pela diversidade de opiniões no debate interno no PS.   

"O que é preciso é quebrar o imobilismo", defendeu por seu lado Luís Fazenda, apresentando a iniciativa anual de debates à esquerda organizada pelo Bloco, que já contou no passado com outros membros do PS, como Maria de Belém. "Mais do que etiquetar de ala esquerda ou ala direita, temos é de ir à essência deste debate", defendeu o líder parlamentar bloquista, falando em seguida da reflexão tida por um campo da esquerda após a queda do Muro de Berlim e as transformações trazidas pela globalização capitalista. Fazenda defendeu que os caminhos da esquerda passam pelo entendimento que "o socialismo é um processo e não há socialismo sem democracia" e afirmou que "o modelo privatizador liquidou a social-democracia como o modelo soviético liquidou certas ideias do socialismo".

"Sem um setor público importante não há Estado Social nem políticas socialistas"  

"As correntes sociais-democratas abandonaram a propriedade pública. Quando começaram a privatizar, abdicaram da arma fiscal" para financiar políticas socialistas, argumentou Fazenda. "Como é que agora se obriga as empresas do PSI20 a pagar impostos em vez de fugir para os offshores?", questionou em seguida, afirmando depois que "por isso é preciso repor na ordem do dia o setor público e a propriedade pública em setores fundamentais, incluindo o financeiro". "Sem um setor público importante não há Estado Social nem políticas socialistas", concluiu Fazenda.

Na resposta, Pedro Nuno Santos colocou-se fora do alvo dessa crítica, admitindo o erro da social-democracia e manifestando-se "contra as privatizações - as do memorando e as do passado", não pelo argumento da perda fiscal mas porque as empresas públicas são um instrumento para o desenvolvimento do país. E deu o exemplo do setor elétrico, em que "o país pouco tem ganho com os lucros da EDP noutras partes do mundo". O deputado socialista reconheceu ainda a dificuldade dos debates no interior do PS sobre questões como o offshore da Madeira ou a tributação de capitais, em que a oposição a estas medidas é feita com o argumento de que "os capitais fogem". Pedro Nuno Santos concluiu dizendo que a liberdade de movimento de capitais foi "um dos erros das políticas social-democratas". Em resposta a um pedido de comentário sobre a eleição do ex-primeiro ministro grego Georgios Papandreou para presidente da Internacional Socialista,  afirmou que "a Internacional Socialista hoje não aquece nem arrefece".  E voltou a defender a reestruturação da dívida e considerou que "este memorando [da troika] coloca-nos numa trajetória insustentável da dívida externa. Logo em seguida disse preferir que "a reestruturação seja negociada com a 'troika' e não, obviamente, contra a 'troika'", por achar que o a segunda escolha implicará a saída do euro.

Na conclusão do debate, Luís Fazenda apontou as convergências de opinião registadas no debate sobre temas importantes como uma agenda para a propriedade pública ou a oposição às privatizações e a denúncia dos offshores.  "Mas não resisto a dizer que se a luta do Bloco é difícil, a luta do Pedro Nuno Santos também vai ser muito difícil...", aludindo às posições assumidas pelo PS em sentido contrário às que expressou em seu nome nesta sessão de abertura do Socialismo 2012, o que motivou risos da plateia e também do deputado socialista.

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Socialismo 2012 | "Caminhos do Socialismo na sessão de abertura"

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