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“Só quero 11.780 votos”: Trump pressionou para alterar resultados na Geórgia

Em conversa telefónica revelada pelo Washington Post, o ainda Presidente dos EUA tentou convencer o responsável pela certificação do resultado eleitoral no estado da Geórgia com as suas várias teorias da conspiração.
Os advogados de Trump tiveram mais de 50 derrotas nos tribunais e no Supremo Tribunal, não tendo conseguido provar a existência de fraude.
Os advogados de Trump tiveram mais de 50 derrotas nos tribunais e no Supremo Tribunal, não tendo conseguido provar a existência de fraude. Fotografia de Michael Reynolds/EPA/Lusa.

Segundo notícia divulgada pelo jornal Washington Post, Donald Trump telefonou no passado dia 2 de janeiro a Brad Raffensperger, secretário de estado da Geórgia e responsável local pela certificação dos resultados eleitorais,  pressionando-o a “encontrar” votos suficientes que lhe permitam reverter os resultados eleitorais de novembro.

O jornal divulga o áudio da conversa onde, além desta pressão, se pode escutar o ainda presidente dos Estados Unidos da América a questionar Raffensperger sobre uma série de teorias da conspiração e a ameaçá-lo com supostas acusações criminais.

“Não há nada de errado em dizer que fizeram novos cálculos”, disse Trump ao secretário de estado da Geórgia, alegando que o povo daquele estado e de todo o país estava “furioso” com a sua derrota.

A dada altura da conversa, Trump diz claramente: “Escute, o que eu quero que faça é isto. Só quero encontrar 11.780 votos, um voto a mais do que temos. Porque nós ganhámos”, referindo-se aos resultados da Geórgia, onde Biden teve mais 11.779 votos que o candidato republicano.

Houve ainda tempo para uma série de esclarecimentos sobre as teorias da conspiração relacionadas com as eleições de novembro de 2020, com Donald Trump a questionar o secretário de estado republicano sobre o voto de cidadãos já mortos e adulteração de máquinas.

“O número verdadeiro é dois. Dois. Houve duas pessoas mortas que votaram”, Brad Raffensperger limitou-se a responder.

A dada altura foi o advogado de Raffensperger a responder às perguntas do Presidente, que teve de lhe explicar que, ao contrário do que indicam algumas teorias da conspiração, não desapareceram máquinas de votos e que não foram substituídos componentes das mesmas. Em causa estava a teoria, nunca provada nos tribunais, de que uma empresa de máquinas de votos adulterou os resultados a favor de Biden e destruiu boletins, em particular no condado de Fulton.

Este é mais um episódio que indicia que Trump continua desesperadamente a tentar inverter ou negar os resultados eleitorais que dão a vitória ao democrata Joe Biden. Até ao momento, os advogados de Trump tiveram mais de 50 derrotas nos tribunais e no Supremo Tribunal, não tendo conseguido provar a existência de fraude numa dimensão suficiente para alterar os resultados em qualquer estado.

No caso particular do estado da Geórgia, foram feitas três contagens que deram sempre vitória a Biden: a contagem habitual feita pelas máquinas eleitorais, uma auditoria manual pedida pelo secretário de estado que o Presidente dos EUA contactou no passado sábado, e uma última a pedido da campanha de Donald Trump.

A vitória de Joe Biden e sua eleição como 46º Presidente dos EUA foi confirmada a 14 de dezembro pelo Colégio Eleitoral.

Ainda assim, está prevista mais uma tentativa de contestar os resultados, possivelmente a última. A 6 de janeiro, a Câmara dos Representantes irá contar os votos do Colégio Eleitoral do Congresso dos EUA. Aquela que costuma ser uma mera formalidade antes da tomada de posse será, ao que tudo indica, um momento em que alguns senadores republicanos irão contestar os votos em Joe Biden.

A confirmar-se, esta contestação atrasará os trabalhos em várias horas, mas é improvável que tenha algum impacto real, uma vez que os democratas estão em maioria na Câmara dos Representantes.

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