Situação dos professores à beira da “catástrofe”

09 de agosto 2011 - 18:08

Medidas do Ministério da Educação vão provocar uma “catástrofe”, alerta a Fenprof referindo o “despedimento de milhares de docentes” e um “inédito” número de professores com horário zero.

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Numa audição parlamentar na semana passada, o ministro Nuno Crato admitiu que este ano haveria menos contratações e um aumento de “horários zero”. Foto Miguel A. Lopes

O responsável da Federação Nacional de Professores (FENPROF) Luís Lobo considerou à Lusa que a actual situação é “uma catástrofe”. No dia em que terminou o concurso para o destacamento por ausência de componente lectiva, esta segunda-feira, ainda não existem números oficiais sobre os professores que terão “horário zero”, mas tanto Ministério da Educação e Ciência (MEC) como sindicatos sabem já que haverá um aumento do número de professores sem horário.



“Foi meticulosamente preparado o maior despedimento colectivo de professores contratados, cuja expressão maior terá lugar já em Setembro”, denunciou a Fenprof, que fala em “milhares de ‘horários zero’ nas escolas”.



Numa audição parlamentar na semana passada, o ministro Nuno Crato admitiu que este ano haveria menos contratações e um aumento de “horários zero”.



Listando um grupo de estabelecimentos de ensino onde a situação é “dramática”, Luís Lobo referiu como exemplo uma escola em Ermesinde onde há nove “horários zero” e a Escola Secundária de Ílhavo, com 32 “horários zero”. O agrupamento de escolas do Carregal do Sal, com 35 casos, e o agrupamento de Anadia, são outras das escolas referidas.



Luís Lobo lembra que esta é a consequência das decisões governamentais - tomadas no anterior mandato e mantidas pelo executivo liderado por Nuno Crato - de alterar as regras de organização e funcionamento das escolas, bem como as normas de elaboração dos horários dos docentes.



Além disto, há também a “dramática situação” dos professores contratados (cujo concurso de colocação termina na quarta-feira), lembra a Fenprof, temendo a extinção de muitos postos de trabalho.



“Todas as direcções das escolas contactadas declararam que no próximo ano lectivo deixará, praticamente, de haver professores a contrato, sendo muito elevado o número dos que cairão no desemprego”, alega a federação sindical.



A lista de escolas que vão perder lugares para contratação é longa e vai do norte a sul do país: “Esta é uma situação que se repete por todo o território nacional e que, aliás, Nuno Crato não nega, antes confirma”, denuncia a Fenprof.