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Sismo na Holanda: governo pode antecipar fim da exploração de gás

Um sismo de magnitude 3.4 na escala de Richter abalou a província de Groningen, onde se situa uma das maiores explorações de gás do mundo. Governo promete estudar a antecipação do fim da exploração, previsto para 2030.
Campo de Wildervank, na província holandesa de Groningen. Foto Skitterphoto/Wikimedia Commons

Este foi o sexto sismo a abalar a província de Groningen desde o início do ano. Segundo os responsáveis do instituto meteorológico holandês, o sismo desta quarta-feira é um dos maiores de sempre a atingir o país. Embora não tenha feito vítimas, dezenas de famílias apresentaram queixas por danos nas suas habitações nas horas que se seguiram ao abalo.

O governo prometeu estudar uma possível antecipação do prazo para o fim da exploração de gás do consórcio Shell/Exxon Mobil, previsto para 2030. “Iremos esperar a análise do regulador sobre este sismo para vermos se serão necessárias novas medidas”, afirmou à Reuters o porta-voz do governo, Job van der Sande. A entidade reguladora pediu um mês para concluir a investigação, mas promete um relatório preliminar para a próxima terça-feira.

O prazo de 2030 para o fim da produção de gás naquela região foi uma promessa do governo após ter ocorrido outro sismo em janeiro de 2018. “Continuaremos a procurar formas para reduzir rapidamente a produção, que já está a baixar mais depressa do que o inicialmente previsto”, afirmou esta quarta-feira o porta-voz do governo holandês. Em 2013, a exploração atingiu a extração máxima de 54 mil milhões de metros cúbicos, enquanto para este ano está previsto que se extraia 19.4 mil milhões de metros cúbicos até outubro. O objetivo definido após o sismo de janeiro de 2018 era que a produção caísse para os 12 mil milhões até 2020, de forma a evitar o risco sísmico.

Para os habitantes da região que acolhe o que já foi o maior campo de exploração de gás na Europa, os tremores de terra não são novidade. Milhares de habitações já foram danificadas nos últimos anos e a população recorreu aos tribunais para exigir o fim imediato da exploração de gás. Os argumentos do governo de que o corte na produção poria em perigo o abastecimento de energia a empresas e famílias holandesas acabou por convencer os juízes a manterem a exploração.

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