Está aqui

Sindicatos e autarquias desafiados a participar na Greve Climática de 27 de setembro

Em conferência de imprensa, ativistas lançaram um apelo a sindicatos e autarquias para lutarem contra as alterações climáticas, mobilizando-se para a greve global que visa dar “um sinal inequívoco a todo o planeta de que o que está a ser feito não chega".
Foto da página de facebook da Greve Climática Estudantil.

De acordo com o ativista João Camargo, da Climáximo, os trabalhadores dos setores poluentes "têm de ser os primeiros envolvidos", devendo ser a prioridade numa nova indústria que surja" na transição da economia baseada na exploração de combustíveis fósseis para energias não poluentes.

"Não há dúvidas de que essa transição energética está em curso e tem de ser muito mais acelerada", referiu, assinalando que "se os trabalhadores decidirem ser passivos neste processo, ficarão muito expostos ao que são, estritamente, decisões das empresas", que "não terão nenhum pejo em, quando for decidido que um setor tem de terminar, encerrar e deixar os trabalhadores entregues a eles próprios”.

João Camargo reconheceu que "esta greve, em alguns casos, não é fácil de explicar" a trabalhadores de setores que dependem ou exploram os hidrocarbonetos para funcionar.

"Estamos a entrar em campos desconhecidos, tanto a nível do clima como das mobilizações sociais que lhe podem responder", afirmou, avançando que os organizadores da greve já contactaram a CGTP. A intersindical deu conta da sua "abertura e apoio". Contudo, a forma como as maiores organizações laborais podem participar na greve "é um processo que tem que se ir trabalhando".

O ativista reforçou que "o mundo é movido à força de trabalho" e que, sem o envolver, "resolver a crise climática com humanidade e justiça é uma fantasia".

De acordo com a ativista Maria João Justino Alves, da associação Salvem o Surf, todas as câmaras municipais e universidades do país foram contactadas, já existindo algumas respostas.

José Oliveira, do Sindicato de Todos os Professores (STOP), sinalizou, por sua vez, que os professores têm "plena consciência da gravidade" da situação climática e que a sua profissão lhes permite "chegar a muitos alunos e famílias para as alertar".

"Apelamos para que mais instituições, mais sindicatos e mais organizações da sociedade civil se juntem a nós. É um problema que afeta todos", vincou.

Diogo Silva deixou um apelo à comunidade artística portuguesa para participar nas ações da semana que antecederá a greve e "trazer a cultura para o clima" porque "a mobilização social também depende disso". O ativistas anunciou que, na semana que antecede a Greve Climática de 27 de setembro, realizar-se-ão "ciclos de cinema climáticos" em vários pontos do país, entre outras iniciativas.

Termos relacionados Salvar o Clima, Ambiente
(...)