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Sindicatos dos médicos reclamam mais meios para retomar toda a atividade

Sem novas contratações, os líderes da FNAM e do SIM admitem que é “impossível” os médicos retomarem toda a atividade e ao mesmo tempo darem assistência aos doentes com covid-19.
Foto de Paulete Matos.

O presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM) alerta esta terça-feira, em declarações à Lusa, para a necessidade de mais meios para o Serviço Nacional de Saúde poder retomar toda a atividade e ao mesmo tempo dar assistência aos doentes infetados com covid-19.

A mesma posição é partilhada pelo secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos (SIM), Jorge Roque da Cunha, que diz ser “essencial contratar os profissionais que não foram contratados nos últimos anos e arranjar maneira de virem trabalhar para o SNS”.

Noel Carrilho, presidente da FNAM, afirma que já antes da pandemia o SNS vivia “numa situação limite”, em que “a rotina já significava grandes listas de espera” para cirurgia e consultas, doentes sem médico de família e médicos com “grandes listas de utentes que não lhes permitiam dar assistência” de uma “forma satisfatória”.

Atualmente, esta situação agravou-se com a necessidade de dar assistência a unidades viradas para a covid-19, “ao mesmo tempo que é criada a expectativa” de retomar toda a atividade assistencial e “compensar as listas de espera”. O dirigente da FNAM diz que “basta fazer umas contas simples para perceber que nada disto é possível de fazer sem meios”.

Também o SIM reclama mais meios para o SNS. Jorge Roque da Cunha, em declarações à Lusa, diz que "há maior pressão por parte da procura e há uma menor capacidade por parte dos serviços de resposta, por isso, é essencial contratar os profissionais que não foram contratados nos últimos anos e arranjar maneira de virem trabalhar para o SNS".

O dirigente do SIM acrescenta que agora é essencial que se criem medidas para recuperar os atrasos, contudo “não é possível pensar” que seja apenas o SNS a fazer isto, porque os “médicos estão exaustos”, tendo “a esmagadora maioria” já atingido o limite legal das 150 horas extraordinárias anuais.

Entrevistado pela Lusa, o presidente da Associação Portuguesa dos Administradores Hospitalares (APAH) diz que os hospitais estão a remarcar as consultas, cirurgias e tratamentos não urgentes que foram adiados na fase mais aguda da pandemia de covid-19, mas muitos doentes não comparecem com o receio de contrair a infeção pelo novo coronavírus. O presidente da APAH insistiu na importância de transmitir confiança aos doentes, já que  “nenhum hospital vai reiniciar atividade ou chamar doentes para consultas ou cirurgias sem que as condições de segurança estejam garantidas”.

Alexandre Lourenço fala em “dezenas de milhares de cirurgias e mais de um milhão de consultas em atraso”, às quais é necessário dar resposta, através de “um plano participado, concertado, integrado em todas as instituições do SNS”, mas também no setor social, “e não planear a resposta na edição de despachos”.

Segundo o presidente da APAH, este plano incluiria a contratação e a formação de profissionais e o investimento em equipamentos.

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