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Sindicatos apelam a grande manifestação contra baixos aumentos salariais

O aumento de 0,3% para os trabalhadores do Estado tem também impacto na negociação coletiva no privado. Greve geral não está para já em cima da mesa, dizem sindicatos, mas apelam a uma grande manifestação nacional.
Sindicatos apelam a grande manifestação contra baixos aumentos salariais
Fotografia de António Cotrim/Lusa.

Os sindicatos da função pública apelam a uma grande manifestação nacional depois de o Governo ter decidido avançar com a atualização extraordinária dos vencimentos apenas nos salários mais baixos.

O aumento salarial será de dez euros mensais para os funcionários públicos que ganharem até 683,13 euros. Esta subida, em torno dos 1,5%, deverá entrar em vigor em março com efeitos desde janeiro de 2020. Porém, este é o único escalão salarial com aumentos desta ordem de valor. Todos os restantes trabalhadores da função pública continuarão com as subidas de 0,3% - entre estes, apenas os trabalhadores com remunerações superiores a três mil euros conseguirão o aumento de dez euros mensais.

Para o Governo, na pessoa do secretário de Estado da Administração Pública, José Couto, este aumento “é o possível” num ano de “alguma exceção” com o descongelamento das carreiras, noticia o Diário de Notícias.

Ana Avoila, coordenadora da Frente Comum, afirma que a resposta a esta situação “é a luta”. Já os sindicatos afetos à UGT procuram uma convergência entre trabalhadores do público e do privado para lutar contra os baixos aumentos salariais. É que este reduzido aumento salarial no setor público tem também efeitos no setor privado, uma vez que impacta negativamente a negociação coletiva destes trabalhadores quando as empresas recorrem ao referencial de 0,3% fixado para os trabalhadores do Estado.

Já a nova secretária-geral da CGTP, Isabel Camarinha, afirma ao Diário de Notícias que, apesar de o cenário de greve geral não estar de momento em cima da mesa, "a qualquer momento isso poderá ter de acontecer se a situação assim o exigir". A decisão fica, para já, para depois do período de Carnaval.

O Governo justifica estes valores lembrando que a valorização salarial implicará gastos adicionais de 95 milhões de euros. Destes, 26 estarão concentrados nos salários mais baixos. Há mais de dez anos que não existiam atualizações gerais.

"Deram-se passos bastante consequentes e firmes, com solidez, naquilo a que nos foi possível chegar", defendeu José Couto ao Diário de Notícias. Aumentos mínimos de 1% ficam para 2021, diz.

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