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Sindicato satisfeito com “expressiva adesão” à greve dos trabalhadores dos impostos

A greve de cinco dias terminou no domingo, mas os trabalhadores admitem voltar a recorrer a este instrumento de luta caso continuem sem reposta da tutela quanto aos motivos que levaram à paralisação.
Concentração de dia 3 em frente ao Ministério das Finanças. Foto do STI/Facebook

O Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos (STI) congratulou-se este domingo com a “expressiva adesão” à greve que teve início na quarta-feira. A paralisação abrangeu trabalhadores de repartições de finanças, alfândegas, portos e lojas do cidadão e contou com o apoio do fundo de greve do sindicato.

Segundo as contas do STI citadas pela agência Lusa, 70% dos serviços de finanças foram obrigados a encerrar e apesar dos serviços mínimos houve constrangimentos no desalfandegamento nos portos de Sines e de Leixões. Este sábado, metade dos balcões da Autoridade Tributária nas lojas do cidadão estiveram encerrados, afirmou o sindicato.

Ainda de acordo com a Lusa, esta greve foi marcada em protesto contra a demora na regulamentação da revisão da carreira dos trabalhadores dos impostos, a crescente degradação no funcionamento e perda de autoridade da AT, o sistema de avaliação de desempenho e "as funções robóticas que travam o combate à fraude e à evasão fiscal".

Os trabalhadores queixam-se da falta de resposta da tutela quanto às suas preocupações e admitem voltar a decretar esta ou outras formas de luta no próximo Conselho Geral do STI, marcado para 15 de dezembro. "Se até dia 15 não tivermos evolução, podemos tomar medidas para dar continuidade ao protesto", afirmou à Lusa a presidente do sindicato, Ana Gamboa.

Além da paralisação dos serviços, os trabalhadores participaram ainda em várias iniciativas de protesto, como a concentração de sexta-feira em frente ao Ministério das Finanças ou este domingo em Faro.

Num artigo publicado no Diário de Notícias, o vice-presidente do STI criticava “uma gestão de recursos humanos sem critérios claros, que mudam, sem salvaguarda das regras anteriores e em que a sorte influencia mais que o mérito”, o que contribui para “matar não só o espírito de equipa, como também a qualidade do serviço”.

Para ilustrar o quotidiano de muitos trabalhadores, Gonçalo Rodrigues escreve que “talvez o público não saiba, mas, nos últimos meses, os gestores tributários e aduaneiros até de porteiros dos Serviços de Finanças têm feito”. E critica ainda outras escolhas da gestão por parte do Governo, como o de recuo na aposta no atendimento presencial por marcação. O sindicalista diz não compreender que “quando o sistema fica funcional e prova ser bem melhor que o anterior, se volta atrás, numa súbita inversão de 180°, sem qualquer explicação, análise e ponderação”.

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