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Sindicato responsabiliza Governo pela exclusão do ensino superior da vacinação prioritária

O Sindicato do Ensino Superior considera “muito preocupante que não exista da parte do Governo a preocupação de garantir as melhores condições” para o regresso do ensino presencial no Superior. O Conselho de Reitores já tinha acusado a decisão governamental de “inexplicável discriminação”.
Presenças numa aula de Direito Constitucional na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa no dia da reabertura, 19 de abril de 2021 – Foto Mário Cruz/Lusa
Presenças numa aula de Direito Constitucional na Faculdade de Direito da Universidade Nova de Lisboa no dia da reabertura, 19 de abril de 2021 – Foto Mário Cruz/Lusa

O Sindicato Nacional do Ensino Superior (SNESup) considerou, nesta sexta-feira, que a exclusão dos funcionários do ensino superior dos grupos de vacinação prioritária revela despreocupação do Governo com o ensino presencial em segurança. Ao contrário dos restantes níveis de ensino, os trabalhadores do superior não foram incluídos nos grupos prioritários da vacinação e, por isso, alguns docentes têm-se recusado a dar aulas.

Em declarações à Lusa, Mariana Gaio Alves, presidente do SNESup, afirmou: “O regresso ao ensino presencial é muito importante para garantir a qualidade das aprendizagens e é muito preocupante que não exista da parte do Governo a preocupação de garantir as melhores condições para se fazer este regresso”.

“Em outubro, o SNESup emitiu um pré-aviso de greve que visa, precisamente, permitir que possam não dar uma aula quando sentem que não estão reunidas as condições de segurança para tal e é isso que está agora a acontecer”, confirmou a presidente do SNESup.

Para Mariana Gaio Alves, a exclusão dos trabalhadores do ensino superior da vacinação prioritária “continua completamente inexplicável” e responsabiliza o ministério por este facto: “Não entendemos como é que o Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (MCTES) não salvaguardou esta situação”.

A presidente do SNSup sublinha que não existe prova científica de que o risco de contágio seja menor neste nível de ensino, tal como os reitores já tinham apontado, refere que o número de profissionais a vacinar (cerca de 50 mil) é “irrisório” no quadro de vacinação massiva e alerta que a testagem é insuficiente para dar segurança à comunidade académica, pelo que muitas instituições optam por manter algumas aulas em ensino à distância. “Acho que o recurso a estas soluções, que são remendos, é uma resposta também às pessoas que não se sentem seguras e as instituições acabam por defender que algumas atividades devem acontecer online”, esclarece.

“A situação pandémica não permite funcionar da forma como estávamos a funcionar, mas o que está em causa a seguir é que se há condições para dar mais segurança para voltarmos a esse regime normal, é isso que tem de ser feito”, frisou a concluir.

O Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP), também nesta sexta-feira, considerou uma "inexplicável discriminação" a ausência dos funcionários do ensino superior dos grupos prioritários da vacinação contra a covid-19, pedindo que a situação seja corrigida.

"Não há razão científica que justifique a opção de priorizar a vacinação de profissionais de apenas alguns níveis de ensino. O risco de transmissão do SARS-CoV-2 é semelhante em qualquer sala de aula ou qualquer estabelecimento de ensino, sabendo que foi precisamente ao nível do ensino superior que se detetaram, em Portugal, os primeiros casos de covid-19 em contexto escolar", sublinharam os reitores em comunicado.

O ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, porém, já tinha dito em 23 de março não "apoiar qualquer iniciativa de âmbito corporativo nessa área", como ele chamou à exigência de vacinação prioritária para o ensino superior, tal como para os restantes níveis de ensino.

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