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Sindicato protestou na sede da Randstad contra perseguição a ativistas sindicais

A perseguição e despedimento de ativistas sindicais no call-center da Concentrix em Braga levou o STCC a manifestar-se à porta da sede da Randstad em Lisboa.
Protesto à porta da Randstad
Protesto à porta da Randstad esta quinta-feira. Foto esquerda.net

O Sindicato dos Trabalhadores de Call Center (STCC) manifestou-se esta quinta-feira à porta da Randstad, a empresa de recrutamento do call-centre da Concentrix, em Braga, que emprega cerca de 500 trabalhadores a prestarem apoio técnico para a Apple.

Segundo o sindicato, já foi despedido um dirigente sindical do STCC e suspensos outra dirigente e dois delegados sindicais. “O único delito que cometeram foi o de defender os seus colegas, lutar pelo cumprimento da lei no local de trabalho e a denúncia dos abusos da empresa”, refere a nota que convocaou a concentração.

O STCC queixa-se ainda da atuação da Autoridade para as Condições do Trabalho nestes casos de perseguição sindical na Concentrix. “Não foi feita uma oinvestigação como deve de ser. As respostas vêm muitas vezes tarde e, em algumas situações, os trabalhadores já nem estão na empresa. A ACT não tem capacidade de resposta”, afirmou ao Jornal de Notícias Danilo Moreira, o presidente do STCC.

Um dos casos é o de Nuno Geraldes, alvo de despedimento por justa causa, que diz ter recebido da empresa uma proposta de 35 mil euros para abandonar a atividade sindical. “Como não aceitei, optaram por abrir um processo disciplinar por violação de confidencialidade, que é uma coisa totalmente abstrata. Acusaram-me de dizer coisas que não disse”, afirmou ao JN. No seu processo de despedimento, que contesta agora em tribunal, “eles foram os advogados, o júri e os juízes”, resumiu.

“Este é um processo que começa no sentido de tentar eliminar toda a estrutura sindical que temos na empresa por causa das denúncias que fizemos de sérios incumprimentos à lei”, afirmou Nuno Geraldes ao esquerda.net durante a manifestação. Este sindicalista alvo de despedimento por parte da Randstad acusa a empresa de querer “voltar aos tempos de antigamente, antes de haver sindicato, em que não respeitam a lei nem a decência”.

A suposta violação de confidencialidade é o argumento usado pela empresa para suspender os ativistas sindicais que procuram que a lei seja cumprida no call-center. Ângela Lima foi avisada por telefone num dia de folga que não podia ir trabalhar no dia seguinte. “No dia seguinte apresentei-me ao trabalho e o segurança tinha as fotos de três sindicalistas para nos impedir a entrada”, recorda ao JN. Também Freddy Fernandez diz ter assistido a “muitas situações de assédio e maus-tratos a trabalhadores” e que “as normas e as leis não são cumpridas”, tornando a vida no call-center “um inferno”. Também este ativista contestou a sua suspensão junto da ACT e quer ser reintegrado o quanto antes na empresa.

 

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