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Sindicato acusa corticeira de terrorismo psicológico

O Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte acusa a corticeira Fernando Couto Cortiças S.A. de "terrorismo psicológico" no caso da trabalhadora reintegrada e forçada a carregar e descarregar a mesma cortiça todos os dias.
Sindicato acusa corticeira de terrorismo psicológico
Um grupo de colegas da trabalhadora manifestou-se em defesa da imagem da empresa e contra incómodo que a denúncia da colega lhes vem causando. Sindicato afirma que trabalhadores foram coagidos a tomar partido pela entidade patronal.

O Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte acusou a empresa Fernando Couto Cortiças S.A. de exercer "terrorismo psicológico" no caso da trabalhadora castigada com funções improdutivas devido a uma reintegração laboral judicialmente imposta.

Cristina Tavares recorreu judicialmente da pretensa extinção do seu posto de trabalho e viu o Tribunal dar-lhe razão. Por esse motivo, a corticeira foi forçada a indemnizá-la e a reintegrá-la no cargo que ocupava anteriormente.

Porém, o sindicato e a operária alegam que, desde o seu regresso à fábrica, esta vem sendo castigada, já que a administração da empresa a faz carregar e descarregar sucessivamente a mesma cortiça ao longo do dia, a impede de utilizar o parque de estacionamento dos restantes funcionários e a obriga a usar uma casa de banho diferente da das colegas, sem porta e com consumo controlado de papel higiénico.

No passado dia 19 de setembro, uma semana após a denúncia pública desta situação, outros operários da empresa situada em Santa Maria da Feira manifestaram-se à porta da fábrica contra o incómodo que alegadamente a colega lhes vem causando, ao motivar notícias que prejudicam a reputação da empresa. Em declarações à imprensa, os trabalhadores em manifestação alegam que a empresa “está a ser enxovalhada injustamente” e que a colega repete diariamente a mesma tarefa porque “está a aprender”.

Foi devido a esta manifestação que o Sindicato dos Operários Corticeiros do Norte convocou uma conferência de imprensa na qual referiu que os referidos operários foram "coagidos" a tomar partido da entidade patronal.

"O que a empresa fez foi terrorismo psicológico, ao obrigar 31 trabalhadores a virem cá para fora no seu horário laboral, enquanto a Cristina ficou dentro da fábrica sozinha", declarou Alírio Martins, dirigente sindical.

"O Tribunal disse que ela tinha de ser reintegrada nas funções anteriores e limpar casas de banho não é a categoria profissional que ela tinha antes do processo judicial", afirmou o jurista Filipe Soares Pereira, referindo-se ao argumento dado pela empresa de que a trabalhadora se tinha mostrado indisponível para assumir a função de limpeza das instalações sanitárias da fábrica. 

Segundo Filipe Soares Pereira, "quando não há trabalho, um patrão pode, pontualmente, pedir ao funcionário que exerça outras funções, mas só as que estiverem relacionadas com a sua categoria e, neste caso, limpar casas de banho não tem nada a ver com cortiça”.

Nas inspeções feitas em maio e julho, a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT) informou que “nas referidas visitas foram apurados factos enquadradores da prática de assédio moral, os quais deram origem à instauração do processo de contraordenação respetivo, que se encontra em curso”.

“Na sequência das notícias veiculadas [a semana passada], a ACT realizou nova intervenção para acompanhar a situação e verificar a evolução da prática da empresa relativamente aos factos anteriormente constatados e, finda esta análise, serão adotados os procedimentos adequados às irregularidades verificadas", acrescenta a ACT.

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