Sindicalistas atribuem prémio do "pior patrão do mundo" ao dono da Amazon

23 de maio 2014 - 17:09

Mais de vinte mil sindicalistas de todo o mundo escolheram Jeff Bezos como o símbolo do abuso patronal sobre os direitos dos trabalhadores. O resultado foi anunciado no congresso da Confederação Internacional de Sindicatos que hoje termina em Berlim.

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E o prémio de pior patrão do mundo vai para... Jeff Bezos, o CEO da Amazon. Foto etech/Flickr

Nas contas da votação para o pior patrão do mundo entraram nove CEO's de grandes empresas, que representam "a ganância dos 1%", entre as quais a Walmart, JP Morgan Chase, Goldman Sachs, Koch Industries, Samsung e Glencore Xstrata. Mas o escolhido pelos mais de vinte mil votantes foi Jeff Bezos, o patrão da Amazon que "representa a desumanidade dos empregadores que promovem o modelo empresarial norte-americano", explicou o secretário-geral da CIS, Sharan Burrow, reeleito neste congresso.

A mensagem que a confederação sindical que representa quase 180 milhões de trabalhadores em todo o mundo quis deixar às grandes empresas é muito simples: "Recuem, nós não vamos deixar-vos maltratar os trabalhadores", prosseguiu o dirigente sindical.

"A Amazon na Alemanha trata os seus trabalhadores como se fossem robôs. A companhia não esconde que dentro de poucos anos os irá mesmo substituir por robôs. É uma empresa norte-americana rica que opera a nível global desprezando a dignidade e os direitos de quem trabalha", resumiu Sharan Burrow. 

A mensagem que a confederação sindical que representa quase 180 milhões de trabalhadores em todo o mundo quis deixar às grandes empresas é muito simples: "Recuem, nós não vamos deixar-vos maltratar os trabalhadores", prosseguiu o dirigente sindical.

"Os trabalhadores dos centros de distribuição da Amazon são obrigados a usar terminais digitais que controlam cada movimento. Não há regras acordadas sobre intervalos e velocidade, mas abunda a cultura do bullying e do assédio. Os funcionários são repreendidos apenas por falarem uns com os outros ou quando param para recuperar o fôlego", prossegue o líder da CSI. Outras razões que valeram o prémio de pior patrão à Amazon foram por exemplo o facto dos trabalhadores dos armazéns serem obrigados a andar 24 quilómetros por dia, ao ponto de haver sempre ambulâncias à porta para assistir os que desfalecem, bem como o esquema de evasão fiscal montado pela empresa.

Outro dos temas presentes no Congresso da CSI foi o combate às alterações climáticas, com mais de 50 sindicatos a aderirem à campanha para e-exigir um acordo entre os governos que vão participar na cimeira do clima, no próximo ano em Paris. "Vimos os Governos falharem ao planeta e aos seus povos em Copenhaga e são os mesmos interesses das grandes empresas que querem ver um novo fracasso em Paris", alertou Sharan Burrow.

Na conferência de abertura, Bernardette Ségol, da Confederação Europeia de Sindicatos, sublinhou a importância de se reconhecer que a austeridade na Europa fracassou e que a dívida pública dos países intervencionados aumentou em vez de diminuir. "É inaceitável haver trabalhadores a ganhar 400 euros por mês", defendeu a sindicalista, acrescentando que as economias de sucesso são aquelas onde os salários são altos e o diálogo social permanece forte.