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Sindicalistas apresentam manifesto “para uma CGTP-IN forte e com futuro”

A poucos meses do Congresso da central sindical, um grupo de sindicalistas de diversos setores apresentou esta terça-feira o seu manifesto por uma CGTP “aberta e plural”.
Apresentação do manifesto em Lisboa.
Apresentação do manifesto em Lisboa. Foto esquerda.net

O XIV Congresso da CGTP está marcado para os dias 14 e 15 de fevereiro de 2020, mas o debate interno já começou. Esta segunda-feira foi apresentado em Lisboa o Manifesto “Trabalho de base, participação, pluralismo interno e democracia sindical — Condições para uma CGTP-IN forte e com futuro”, que já conta com mais de cem subscrições e está a partir agora aberto à subscrição dos trabalhadores sindicalizados.

A apresentação em Lisboa esteve a cargo de Albertina Pena (SPGL), Francisco Alves (SITE CSRA) e Tânia Russo (FNAM). Esta terça-feira o manifesto é apresentado às 17h30 na Galeria Geraldes, no Porto, por Nélson Silva (STT), João Pedro Silva (Sindicato da Hotelaria Norte), Sónia Garrido (SINTTAV) e Paulo Ricardo (SITE Norte).

O texto do manifesto analisa a situação política nacional saída das últimas eleições legislativas, assinalando que se mentém “o mesmo padrão de precariedade, a mesma legislação laboral da troika feita contra os trabalhadores, a chantagem patronal para a compressão de direitos e para conteúdos rebaixados na negociação, além dos impasses na Administração Pública, com carreiras que continuam bloqueadas”. Para os subscritores, à falta de um acordo escrito entre o PS e os partidos à sua esquerda, “a luta social e a ação sindical serão os fatores determinantes para a dignificação do trabalho”.

O manifesto destaca ainda algumas das lutas laborais mobilizadoras dos últimos anos, destacando as de alguns setores mais precarizados como “uma oportunidade única de reconstrução sindical em sectores afastados da organização laboral, cujo potencial nem sempre os sindicatos souberam aproveitar”.

Para os subscritores, “o reforço da capacidade de influência da CGTP e dos sindicatos de classe passa também por um sindicalismo de movimento social que não teme o alargamento da sua agenda de intervenção nem a aliança com dinâmicas internacionais que participam da luta de classes e que aprofundam uma visão interseccional das várias formas de exploração e de dominação”.

Entre os desafios concretos que estão colocados à central sindical, nas suas dinâmicas internas e organizativas, está a maior cooperação com outros sindicatos, movimentos e organizações nacionais e internacionais, a integração de organizações que “aguardam há anos resposta aos pedidos de adesão” ou a inclusão nos órgãos dirigentes da CGTP “todas as sensibilidades que constituem o sindicalismo combativo e de classe, ao contrário do que tem acontecido até hoje”.

Os subscritores defendem ainda a renovação e a formação dos novos quadros sindicais, a proximidade com os trabalhadores e os plenários regulares ou a limitação de mandatos nas direções sindicais. “Em vez de fechamento sectário, os sindicatos só têm a ganhar em serem um espaço de todos os trabalhadores, nas suas múltiplas condições, pertenças e sensibilidades políticas e sindicais”, defende o manifesto.

Quanto à agenda política da central sindical, este manifesto defende que deve ser dada prioridade ao aumento geral dos salários, a reconstrução da contratação coletiva, a luta por novos direitos e formas de regulação contra as novas e velhas formas de precariedade, o combate às desigualdades no trabalho, o reforço da Autoridade para as Condições do Trabalho, a redução do horário para as 35 horas semanais também no privado, ou a defesa da proteção social, do investimento público e da recuperação para a esfera pública dos setores estratégicos da economia do país.

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