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Setúbal fecha urgência pediátrica, Almada desvia doentes para outros hospitais

A falta de médicos continua a degradar a prestação de cuidados de saúde no distrito de Setúbal, numa altura em que as urgências estão sobrelotadas.
Hospital de São Bernardo. Foto Câmara Municipal de Setúbal.

A Urgência Pediátrica do Hospital de São Bernardo, em Setúbal, estará encerrada entre as 9h desta terça e as 9 da próxima segunda-feira, dia 12 de dezembro, informou fonte hospitalar à agência Lusa. A razão é a falta de médicos suficientes para preencher as escalas de serviço.

Os constrangimentos estão a afetar também as urgências gerais deste hospital. No domingo, muitos doentes foram encaminhados para outras unidades hospitalares. As dificuldades estenderam-se nos dias anteriores ao serviço de urgências de Ginecologia e Obstetrícia. Na semana passada, a autarquia setubalense pediu uma reunião com a administração do hospital acerca da degradação progressiva da prestação de cuidados de saúde à população do concelho.

No Hospital Garcia de Orta, em Almada, as urgências ficaram sobrelotadas no fim de semana, tendo sido solicitado o encaminhamento de doentes não críticos para outros hospitais no domingo à tarde. O mesmo pedido foi reativado na segunda à tarde, com o hospital a prever que a situação se mantenha até à manhã esta terça-feira.

O hospital recomenda à população de Almada e Seixal que em caso de doença aguda contacte primeiro a linha SNS 24, através do telefone 808242424, aconselhe-se com o seu médico assistente ou dirija-se ao seu centro de saúde. "Dessa forma, evitam-se tempos de espera maiores assim como constrangimento ao atendimento dos doentes efetivamente urgentes e emergentes", afirma o hospital, acrescentando que os centros de saúde Rainha D. Leonor em Almada, e Amora, no Seixal, têm um horário de funcionamento das 10h às 17h aos sábados, domingos e feriados.

Os chefes de serviço das urgências deste hospital mantêm-se demissionários, em protesto contra a falta de médicos na escala de dezembro, que consideram ser em número insuficiente para o bom funcionamento daquele serviço de urgência.

Associação das USF quer aumentar cobertura até 90% da população este ano

Para ajudar a resolver o "problema crónico" das urgências, o presidente da Associação Nacional de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) apresentou algumas propostas de "medidas urgentes" com o objetivo de aumentar a cobertura deste serviço de saúde no território nacional.

Entre essas medidas está a da abolição das quotas administrativas para a criação destas Unidades de Saúde Familiar (USF) e dar acesso a todas elas de forma imediata ao modelo B - que ao contrário do modelo A incluem incentivos financeiros aos profissionais de saúde. À agência Lusa, o presidente da associação, André Biscaia, diz que existem hoje 604 USF, 314 das quais modelo B e 77 candidaturas quer para modelo A, quer para passar do modelo A para o modelo B. No seu entender, este último modelo é  “o modelo organizacional que melhor enquadramento dá aos profissionais (autonomia) com resultados positivos para a população (menos internamentos evitáveis), retirando mais pessoas dos serviços de urgência e combatendo mais eficazmente o desperdício”.

Ao atribuir os mesmos incentivos remuneratórios do modelo B aos profissionais das USF modelo A, o Estado receberia em troca o compromisso de se atingirem num prazo de 3 anos os objetivos de rácios de utentes por equipa de saúde familiar e de qualidade do atendimento. “Se o conseguissem, mantinham-se em modelo B, se não, regressavam a modelo A”, propôs o médico. Dessa forma, garante, seria possível fixar médicos e enfermeiros em regiões onde eles mais faltam, como Lisboa e Vale do Tejo ou Algarve, onde os preços da habitação são mais altos.

“A razão por que os profissionais não ficam nestas regiões tem a ver pura e simplesmente com a subsistência. Ou seja, aquilo que se ganha no início de carreira não chega para pagar o arrendamento ou iniciar uma compra de uma habitação. O vencimento de uma USF Modelo B já o permitiria”, afirmou André Biscaia à Lusa.

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