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Serpa: recintos pré-históricos inacessíveis devido a culturas intensivas

Dois recintos de fossos pré-históricos foram descobertos em Serpa, durante a realização de trabalhos arqueológicos. Vão ficar inacessíveis devido à plantação intensiva de um olival e de uma vinha. 
Um dos fossos pré-históricos que vai ficar inacessível. Fotografia: Câmara Municipal de Serpa

Com cerca de 25 hectares, um dos recintos encontrados é “um dos maiores deste tipo” em território nacional, referiu à Lusa o arqueólogo António Carlos Valera, responsável pela investigação e membro do Centro Interdisciplinar de Arqueologia e Evolução do Comportamento Humano (ICArEHB) da Universidade do Algarve e do Núcleo de Investigação Arqueológica (NIA).

Ambos os espaços encontrados vão ficar inacessíveis devido às culturas superintensivas registadas no Alentejo. “A cultura intensiva tem sido responsável por muitos sítios arqueológicos ficarem inacessíveis e acontece com todo o tipo de património imenso que o Alentejo tem, incluindo antas e vilas romanas”, referiu o investigador.

Estes fossos pré-históricos foram descobertos recorrendo a uma técnica designada como magnetometria, que utiliza “um equipamento que mede a diferença magnética” no subsolo e torna possível “saber o que está lá por baixo”, o que não será possível após serem plantadas as culturas intensivas previstas, designadamente uma vinha e de um olival, lamentou Tiago do Pereiro, que integra a equipa de investigação. 

Os espaços arqueológicos agora encontrados integram um grande recinto de fossos existentes na zona de Serpa e “são sítios das mesmas pessoas que construíram as antas do megalítico alentejano. Alguns podem ser maiores do que os canais da revolução industrial”, destacou António Carlos Valera, acrescentando que estes eram “locais onde se juntava muita gente, a começar pela sua construção, escavados na rocha, o que envolveu um trabalho coletivo de grande monumentalidade”.

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