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“Seria útil que o PS perdesse a maioria absoluta”

Zuraida Soares afirmou que o PS devia ser obrigado a um “exercício de diálogo, negociação e respeito pelas propostas da oposição que beneficiam os açorianos”.
Foto Paulete Matos

Em entrevista à RDP/Açores, a candidata do Bloco às eleições legislativas regionais começou por afirmar que "o Bloco está a lutar e a desenvolver um trabalho para elegermos deputados diretamente pela Ilha de São Miguel”, tendo acrescentado que "estamos também a disputar um deputado na Ilha Terceira".

“O Bloco tem consciência que tem um projeto alternativo para a Região Autónoma dos Açores com propostas muito concretas para responder de imediato aos problemas prementes desta Região", disse Zuraida Soares.

Para a dirigente os problemas dos Açores "começam na pobreza e acabam na emigração, sobretudo dos jovens com mais qualificações".

Reagindo à pergunta sobre se o Bloco se tem afirmado como um partido de denúncia, correndo desta forma o risco de afastar o eleitorado, a cabeça-de-lista por São Miguel e pelo círculo regional de compensação disse que "as denúncias aproximam os eleitores", adiantando que “temos visto as denúncias que nos chegam de todos os setores e que são bem a prova de que cada vez mais as pessoas confiam no Bloco de Esquerda para dar voz a quem não tem voz, ou a quem tem medo de a dar”.

A este propósito, Zuraida Soares enalteceu a coragem da denúncia, que "é algo muito importante nesta Região porque todos falamos nos cafés, em casa ou com os amigos de que isto tem de levar uma volta”.

“Há muitas coisas escondidas, muitas coisas envergonhadas, muitas coisas que não se dizem mas sabemos que existem”, sublinhou, tendo acrescentado que “a obrigação de um partido como o Bloco de Esquerda é exatamente denunciar as injustiças, os amiguismos, os negócios mal explicados, o favorecimento, a discriminação".

“Um partido que não faz isto é um partido que não dá voz às pessoas”, avançou.

A dirigente bloquista falou no medo existente na Região, que na sua opinião resulta essencialmente da exploração laboral.

“Muitos sabem que se falarem põem em risco o seu posto de trabalho, que na grande esmagadora maioria das vezes corresponde ao ordenado mínimo regional, que é uma miséria, mas é aquilo que a maior parte das famílias açorianas tem para levar para casa”.

Mais votos e mais deputados”

Em relação à expetativa eleitoral, Zuraida Soares disse que a fasquia do Bloco passa por “aumentar o número de votos e de deputados”.

“Queremos condicionar as más políticas e as más práticas do Partido Socialista” referiu tendo afirmado de seguida que “ é útil para os açorianos tirar a maioria absoluta ao PS”.

“Esta última legislatura, para não irmos mais atrás, é bem a prova de que uma maioria super absoluta como a que o PS tem invalida quaisquer propostas dos outros partidos da oposição”, afirmou Zuraida Soares, para quem o PS devia ser obrigado a um "exercício de humildade democrática, de diálogo, de negociação e de respeito pelas propostas e ideias dos outros partidos”.

Para a candidata bloquista, o fim da maioria dos socialistas obrigava-os a "despojar-se da arrogância, da prepotência e do quero, posso e mando que caracterizou sobretudo as duas últimas legislaturas".

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