Em reação às declarações de Mario Draghi, que anunciou esta quinta-feira uma operação de compra de dívida pública e privada de 60 mil milhões de euros por mês até setembro de 2016, Marisa Matias considera que "o Banco Central Europeu fez um grande alarido por causa de uma medida que é basicamente uma versão aumentada do que já existe".
Para a eurodeputada do Bloco de Esquerda, "o BCE e as autoridades europeias sabem muito bem que a compra de obrigações num cenário de deflação de pouco serve se não existir programas de investimento que criem empregos e mobilizem o investimento privado".
"Há algo que me preocupa em especial sobre este curioso plano do sr. Draghi: a ideia louca da partilha de risco pelos bancos centrais nacionais dá a entender que o BCE está a preparar-se para uma separação na zona euro. Essa mensagem pode vir a desencadear um ceticismo ainda maior em relação à zona euro e tornar-se uma profecia autorrealizável", advertiu Marisa Matias
"Há algo que me preocupa em especial sobre este curioso plano do sr. Draghi: a ideia louca da partilha de risco pelos bancos centrais nacionais dá a entender que o BCE está a preparar-se para uma separação na zona euro. Essa mensagem pode vir a desencadear um ceticismo ainda maior em relação à zona euro e tornar-se uma profecia autorrealizável", advertiu Marisa Matias, sublinhando que a imposição do ajustamento e programas de reforma aos Estados membros como condição para a compra de dívida "é um escândalo político e uma violação completa do mandato do BCE".
Marisa Matias também se referiu às palavras de Draghi quando questionado se as obrigações da Grécia também entravam neste pacote de compra de dívida: "O mal disfarçado anúncio de critérios adicionais para a elegibilidade das obrigações da Grécia é mais uma escalada na inaceitável política de chantagem das instituições europeias e uma clara tentativa de manipular os resultados das eleições gregas", concluiu a eurodeputada.