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Seguro contra tiroteios volta a ganhar procura nos EUA

O ano da pandemia foi o menos mortífero no que toca aos tiroteios em massa nos Estados Unidos. Mas o “regresso à normalidade” fez aumentar em 50% nas últimas semanas a procura de seguros contra tiroteios.
Memorial em Washington
Memorial em Washington com 40 mil flores em homenagem às 40 mil vítimas anuais de violência com armas de fogo nos EUA, Foto Joe Flood/Flickr

Os dados são da Marsh, a maior corretora de seguros do mundo: os pedidos de seguros contra tiroteios aumentaram 50% nas últimas seis semanas em relação a igual período no ano passado.

Segundo a agência Reuters, depois de 2020 ter sido o ano menos mortífero neste tipo de crimes, nos primeiros 132 dias de 2021 os Estados Unidos assistiram a 200 casos de tiroteios em massa. Um responsável da empresa de consultadoria de crise R3 Continuum disse à Reuters que o confinamento de 2020 transferiu a violência do espaço público para o domicílio, enquanto agora se assiste à reversão deste fenómeno. “O ambiente que foi criado pela pandemia, com o distanciamento social, o confinamento e os fatores complementares de stress são responsáveis por muita da violência a que assistimos agora”, diz o vice-presidente da consultora.

A situação é confirmada por um inquérito da Kaiser Family Foundation, citado pela mesma agência noticiosa, que indica que 41% dos adultos norte-americanos apresentavam em janeiro sintomas de ansiedade ou depressão, comparando com 19% na mesma situação no primeiro semestre de 2019.

Boa parte dos clientes responsáveis pelo aumento da procura por este tipo de seguro que cobre indemnizações judiciais às vítimas, reparações de danos em edifícios, despesas médicas e aconselhamento psicológico, são instituições de saúde. Hospitais e clínicas, que em geral têm espaços abertos ao público e onde são tratados doentes de covid e outras doenças, são vistos como locais propícios ao comportamento violento por parte de familiares revoltados com o desfecho mortal da doença ou com o que consideram serem casos de negligência médica.

Além do setor da saúde, também estabelecimentos comerciais, escolas e universidades, locais de culto ou restaurantes surgem como clientes principais, adquirindo apólices com coberturas que variam entre um e 75 milhões de euros.

Entre os tiroteios mais mortíferos do ano, contam-se as mortes em março de seis mulheres de origem asiática e outras duas pessoas em Atlanta, de dez pessoas num supermercado em Boulder, no Colorado e de quatro pessoas num edifício de escritórios nos subúrbios de Los Angeles. Em abril há a registar um morto e oito feridos numa fábrica no Texas e três mortos num condomínio residencial em Austin, também no Texas. Já este mês a CNN deu conta de pelo menos onze tiroteios em massa no passado fim de semana nos Estados Unidos, que deixaram 17 mortos e 35 feridos. Esta quinta-feira, em Providence, no estado de Rhode Island, um tiroteio entre dois grupos rivais deixou nove pessoas feridas.

Segundo a cadeia pública de informação NPR, em 2021 houve em média 10 tiroteios em massa por semana nos Estados Unidos, num total de 194 casos nas primeiras 18 semanas do ano.

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