Está aqui

“Se contribuintes se esquecessem tanto como banqueiros e reguladores, país não funcionava”

"Não é aceitável, não é credível que nos digam sistematicamente que nunca ninguém se lembra de escolhas que foram feitas e que representam milhares de milhões de euros da economia deste país", criticou Catarina Martins.
Pedro Filipe Soares, Catarina Martins e José Manuel Pureza à saída da audiência com o Presidente da República - Foto de Tiago Petinga/Lusa
Pedro Filipe Soares, Catarina Martins e José Manuel Pureza à saída da audiência com o Presidente da República - Foto de Tiago Petinga/Lusa

Uma delegação do Bloco de Esquerda, composta por Catarina Martins, Pedro Filipe Soares e José Manuel Pureza, foi recebida esta sexta-feira pelo Presidente da República.

À saída da audiência, a coordenadora bloquista afirmou: "Eu diria que se a maior parte dos contribuintes em Portugal tivessem tantos esquecimentos sobre o seu IRS ou as suas obrigações fiscais em geral, como têm os banqueiros e os reguladores do sistema financeiro, enfim, seria impossível que o país funcionasse".

Catarina Martins respondia a uma pergunta dos jornalistas sobre a aprovação de uma nova audição a Vítor Constâncio, ex-governador do Banco de Portugal (BdP), na comissão parlamentar de inquérito à recapitalização e gestão da Caixa Geral de Depósitos (CGD).

A coordenadora do Bloco salientou que todos veem "com enorme perplexidade a quantidade de esquecimentos que existem nas questões relacionadas com o sistema financeiro" e frisou:

"Não é aceitável, não é credível que nos digam sistematicamente que nunca ninguém se lembra de escolhas que foram feitas e que representam milhares de milhões de euros da economia deste país".

Catarina Martins considerou que uma segunda audição de Vítor Constâncio na comissão parlamentar "teria de ser", pois "ninguém percebia no país que não fosse esclarecido".

Segundo noticiou o jornal “Público”, nesta sexta-feira, Vítor Constâncio deu aval ao empréstimo a Joe Berardo, mas omitiu-o ao ser ouvido na Comissão de Inquérito aos créditos ruinosos concedidos pela Caixa Geral de Depósitos (ver notícia no esquerda.net).

Bloco "continuará a negociar até ao último dia" a Lei de Bases da Saúde

Questionada sobre a lei de bases e a intervenção do primeiro-ministro no debate quinzenal, Catarina Martins afirmou: "as leis são sempre opções e fazem sempre escolhas. É acabando com a promiscuidade, protegendo o Serviço Nacional de Saúde (SNS) que nós podemos fazer algo de diferente do que está hoje".

"Seria um enorme erro se, para defender aquilo que o primeiro-ministro caraterizou, e bem, apenas como 4% do orçamento da saúde e ainda por cima com uma avaliação negativa que o próprio Governo quer acabar que são as PPP dos hospitais", se pusesse em causa "uma Lei de Bases da Saúde que cumprisse este repto de salvar o SNS", prosseguiu.

Catarina Martins salientou que os bloquistas foram "muito claros desde o início" e "o Governo mudou de ideias já algumas vezes neste processo" e insistiu: "o processo está ainda em especialidade e, para o Bloco, até ao último dia a predisposição é que seja possível uma Lei de Bases da Saúde. É para isso que continuamos a trabalhar".

Catarina Martins lembrou ainda que o atual processo começou com o "repto que António Arnaut e João Semedo lançaram" para que não se deixasse que "o negócio privado da saúde mate o SNS" e reafirmou: "o Bloco de Esquerda continuará a negociar até ao último dia para ser possível esse caminho que iniciámos e que achamos que é muito importante", garantiu.

Prémios na TAP é “uma história muito mal contada e inexplicável”

Questionada sobre os prémios atribuídos na TAP a apenas alguns trabalhadores, a coordenadora bloquista criticou: "A atribuição de bónus da empresa que está a ter prejuízos parece-nos absolutamente desproporcionada, injustificada. Se ainda por cima, para um grupo de trabalhadores face ao conjunto de trabalhadores que têm problemas laborais para resolver na empresa, enfim, tudo isto é no mínimo uma história muito mal contada e inexplicável".

E considerou que “sendo a TAP participada pelo Estado também", é "incompreensível que a administração decida dar bónus aparentemente sem que o Governo tenha sido ouvido ou sequer concorde".

"O que esperamos é que se fale da forma como a TAP é gerida. O Bloco já o disse antes, que uma posição do Estado na TAP em que o Estado acaba de facto por não ter capacidade para tomar decisões de gestão é uma posição frágil demais para o que precisaríamos na nossa companhia de bandeira", frisou Catarina Martins.

Notícia atualizada em 8 de junho às 10h50

Termos relacionados Política
(...)