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São cada vez mais as crianças migrantes em campos de detenção nos EUA

Preocupação em torno do tratamento de crianças migrantes que tentam entrar nos EUA aumentou com a divulgação de uma nova política de “tolerância zero” na fronteira do país. Nos centros de detenção estão crianças separadas dos pais e crianças que tentaram atravessar a fronteira sozinhas.
São cada vez mais as crianças migrantes em campos de detenção nos EUA
Mural com uma citação do presidente Donald Trump visível num dos corredores da Casa Padre, no Texas. Foto de MikeStuchbery_/Twitter.

Um antigo supermercado Wallmart funciona agora como centro de detenção de crianças migrantes. O centro, localizado no Texas, alberga 1 469 rapazes migrantes com idades entre os 10 e os 17 anos. Os quartos, num total de 313, não têm portas e o aumento do número de crianças obrigou à improvisação de uma cama extra em quartos que originalmente acolhiam quatro camas. Ao longo dos corredores é possível encontrar murais de antigos presidentes dos Estados Unidos da América. O mais recente é o de Donald Trump, acompanhado por uma inscrição em inglês e espanhol que diz “Por vezes, ao perder uma batalha descobrimos uma nova forma de vencer a guerra”.

A controvérsia em torno da detenção de crianças que tentam entrar nos Estados Unidos da América aumentou com as declarações do Senador Jeff Sessions e o anuncio de uma política de fronteiras com “tolerância zero”, na qual se defende a retiradas de crianças e a condenação judicial dos pais que tentam atravessar a fronteira de forma ilegal.

Só nas duas semanas após o anúncio desta nova política, 658 crianças tentaram atravessar a fronteira com os seus familiares e foram detidas. Atualmente, são 11 351 as crianças detidas nos mais de 100 abrigos localizados em 17 estados do país.

No abrigo Casa Padre, no Texas, é possível observar o aumento no número de crianças: inicialmente eram 1 186 e recentemente tiveram de aumentar a capacidade para 1 497. Só no último mês, acolheram mais 300 crianças. A maioria das crianças neste centro é da América Central e do México. São crianças e famílias que emigram para fugir à pobreza, violência de gangues e de países com algumas das maiores taxas de homicídios em todo o mundo.

“O nosso objetivo é reunir estas crianças com as suas famílias o mais depressa possível”, disse Juan Sanchez, fundador e presidente deste programa de albergues, ao mesmo tempo que se recusou a comentar a política de tolerância zero. Sanchez diz que mais de 70% das crianças detidas em abrigos foram encontradas a atravessar a fronteira sozinhas. Porém, admite ao mesmo tempo que o número de crianças migrantes separadas dos pais na fronteira está a aumentar.

A vice presidente deste programa, Alexia Rodriguez, afirma que “está a ser preparado” um programa para reunir estas crianças com as suas famílias, não divulgando porém mais informações sobre o assunto. Os rapazes da Casa Padre ficam em média 49 dias neste albergue até serem entregues a um cuidador (geralmente um familiar já a viver no país), reunidos com os seus pais ou deportados. Em todo o país, a média é de 56 dias e tem vindo a aumentar.

Ainda não é claro qual o impacto desta nova política de tolerância zero no aumento do número de crianças nos albergues. Só no período entre outubro de 2017 e maio de 2018, foram detidos 32 372 menores a tentar atravessar sozinhos a fronteira dos Estados Unidos da América.

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