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Salvini dá a mão a Berlusconi para a presidência de Itália

O líder da extrema-direita italiana promete votar no ex-primeiro-ministro para a Presidência da República. O milionário que foi condenado por fraude fiscal volta à ribalta da cena política, apesar de a rejeição da sua figura tornar improvável que chegue a chefe de Estado.
Salvini visita a casa de Berlusconi em outubro de 2021. Foto de CLAUDIO PERI/ENSA/Lusa.
Salvini visita a casa de Berlusconi em outubro de 2021. Foto de CLAUDIO PERI/ENSA/Lusa.

Matteo Salvini declarou esta quinta-feira que “o centro-direita está unido e convicto em apoiar Berlusconi, não aceitamos vetos ideológicos da esquerda”. O ex-separatista transformado em nacionalista acaba assim com as dúvidas sobre o que a Liga irá fazer no próximo dia 24, quando o Parlamento se reunir para eleger o novo presidente da República. Pelo caminho, inventa mais um rótulo para a sua natureza política, classificando a coligação que junta o seu partido com a Força Itália de Berlusconi e com os neofascistas “Irmãos de Itália” como sendo de “centro-direita”.

Apesar de Salvini dar a mão a Berlusconi, este não terá, à partida, quase nenhumas hipóteses de chegar ao palácio do Quirinal. Para o fazer, precisaria de dois terços dos votos, nas primeiras votações, ou maioria absoluta, a partir da quarta votação. E nem o Partido Democrata, nem a sua dissidência, a Itália Viva de Matteo Renzi, nem o Movimento 5 Estrelas estão disponíveis para o eleger.

Por seu lado, Berlusconi promete também empatar a eleição do favorito, o atual primeiro-ministro Mario Draghi.

Berlusconi foi a todos os títulos uma exceção na política italiana. O chefe de governo mais tempo em funções em democracia, entrou na política no quadro da dissolução do arranjo político herdado do pós-guerra através do seu poder económico, empurrado pelo seu império mediático. Cinco meses depois de fundar um partido, em 1994, torna-se pela primeira vez primeiro-ministro num governo breve. Em 2001 volta ao cargo para o qual será reeleito por três vezes até que, em 2011, será afastado. O escândalo das festas sexuais "Bunga Bunga", com menores, e a condenação a uma pena de prisão por fraude fiscal, pela qual acabou por não ser preso porque o crime prescreveu e dada a sua idade avançada, deveriam ter sido suficientes para acabar a sua carreira política. Mas Berlusconi regressou, confirmou a vontade de ser presidente e está a mexer-se nos bastidores. Em novembro tratou de enviar uma antologia dos seus discursos a cada um dos parlamentares. E no período do Natal, conta o La Repubblica, tratou de ir telefonando e presenteando vários deputados de diferentes quadrantes políticos.

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