Está aqui

Salaviza: "Rui Rio é um pesadelo que assombra a memória dos moradores do Aleixo”

Em Russa, João Salaviza conta a história de uma habitante do bairro do Aleixo, bairro portuense parcialmente demolido, e aponta o dedo a Rui Rio, acusando-o de ceder aos interesses da especulação imobiliária. Esta será uma de seis produções portuguesas em exibição no festival de Cinema de Berlim.
"Trata-se de um tipo tenebroso e sinistro que decidiu brincar com a vida de centenas de pessoas para ceder aos interesses da especulação imobiliária", afirma João Salaviza
"Trata-se de um tipo tenebroso e sinistro que decidiu brincar com a vida de centenas de pessoas para ceder aos interesses da especulação imobiliária", afirma João Salaviza. 'Russa', curta-metragem de João Salaviza e Ricardo Alves Jr.

O Festival de Cinema de Berlim tem início 16 de fevereiro e contará com uma forte presença portuguesa, num total de seis produções. João Salaviza (Russa, realizado a meias com Ricardo Alves Jr.), João Viana (com a curta Madness e a longa Our Madness), David Pinheiro Vicente (Onde o Verão Vai - Episódios da Juventude), André Gil Mata (A Árvore) e Sandro Aguilar (com Mariphasa) são os representantes do novo cinema português na competição.

Russa, de João Salaviza, parte da história de uma habitante para mostrar o drama do bairro do Aleixo, na cidade do Porto, parcialmente demolido quando Rui Rio era autarca da cidade. O filme não pretende ser um documentário, mas a transposição da realidade para o cinema, e é interpretado pelos próprios moradores, focando-se sobretudo em Russa, Helena, uma mulher que sai da prisão uma noite para visitar a família. Rodado ao abrigo de um programa da Câmara do Porto, o Cultura e Expansão, Russa não teve qualquer limitação ou condicionante temática.

Quando questionado sobre os possíveis impactos que o seu filme poderá ter agora que Rui Rio é líder do Partido Social Democrata, João Salaviza não mede palavras. "Rui Rio é uma espécie de papão, de pesadelo que assombra a memória dos moradores do Aleixo. Trata-se de um tipo tenebroso e sinistro que decidiu brincar com a vida de centenas de pessoas para ceder aos interesses da especulação imobiliária. Há uma imagem dele muito paradigmática quando, na demolição da torre, o vemos no Douro, num barco de luxo a fazer uma pequena celebração com champanhe e a brindar à demolição. Ele transforma aquele momento de aniquilação de uma comunidade numa celebração. E é este tipo que tem esta forma de estar na política e de jogar com a vida das pessoas que quer ser primeiro-ministro de Portugal", afirmou o realizador ao Diário de Notícias.

Para Salaviza é importante não esquecer o flagelo do bairro do Porto: "O cinema pode ser esta forma de diálogo, pôr-nos a pensar sobre que cidades queremos habitar e de querer saber quem são os inimigos de uma ideia de cidade que nem eu nem os moradores do Aleixo queremos ver."

Termos relacionados Cultura
(...)