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Salaviza leva protesto indígena à passadeira vermelha de Cannes

O realizador português apresenta no festival de cinema um filme protagonizado pelos índios brasileiros Krahô. A equipa fez um protesto contra o genocídio e a favor da demarcação de terras indígenas no Brasil.
Equipa do filme "Chuva e cantoria na aldeia dos mortos” levou protesto indígena do Brasil à passadeira vermelha de Cannes. Foto Festival de Cannes/Facebook

"Chuva e cantoria na aldeia dos mortos", o filme realizado pela brasileira Renée Nader Messora e o português João Salaviza, mostra o dia a dia da comunidade indígena Krahô, composta por 3500 pessoas no estado de Tocantins.

"Os Krahô são responsáveis por seu próprio bioma, mas estão ameaçados, principalmente pela monocultura de soja e cana e pela pecuária", explicou Nader Messora à RFI.

Na passagem da equipa do filme pela passadeira vermelha de Cannes, foram exibidos cartazes em várias línguas onde se podia ler “Stop ao genocídio dos povos autóctones” ou “Demarcação já!”, referindo-se à exigência das comunidades indígenas contra o governo de Michel Temer, que se recusa a proteger estas terras e favorece os grandes empresários rurais.

“Ser indígena é um modo de ser e não de aparentar", disse Salaviza à RFI, acrescentando que “não é por usar umas calças ou ter um telemóvel que se deixa de ser indígena. No Brasil esse discurso ocorre entre os poderosos e é muito perigoso”.

"Chuva e cantoria na aldeia dos mortos” tem um registo entre o documentário e a ficção e mostra a história da resistência de um jovem Krahô a se tornar xamã após a morte do pai, que o leva a mudar-se temporariamente para a cidade. É um dos filmes selecionados para a secção Un Certain Regard do festival de cinema de Cannes.    

 

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