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Ryanair recusa ida ao parlamento

Comissões parlamentares de Economia e do Trabalho começam quarta-feira audições a diversas entidades sobre a política de recursos humanos da Ryanair. Administração da empresa recusou presença, alegando “desculpa bizarra”, segundo Heitor de Sousa.
Tripulantes e pilotos preparam nova greve europeia na Ryanair para setembro - Foto de s. bennett/Flickr
Tripulantes e pilotos preparam nova greve europeia na Ryanair para setembro - Foto de s. bennett/Flickr

O “Diário de Notícias” noticia também que os sindicatos deverão convocar nova greve europeia para este mês de setembro.

Sobre a greve da Ryanair, o Bloco de Esquerda requereu, em abril passado, a audição parlamentar de “representantes do Conselho de Administração da Ryanair em Portugal; Representantes dos trabalhadores, nomeadamente do Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil; Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT)”, considerando também que se justificava ouvir a Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT); a ANA – Aeroportos de Portugal; a ANAC – Autoridade Nacional de Aviação Civil.

A audições das Comissões parlamentares de Trabalho e de Economia começarão na próxima quarta-feira, 5 de setembro, mas os representantes da Ryanair não estarão presentes, segundo a empresa informou por carta.

Desculpa bizarra”

"A administração da Ryanair apresentou uma desculpa bizarra para não estar presente. Alega que, como estão em processo de negociação com vários sindicatos de pilotos nalguns países da Europa, não têm ninguém do departamento de recursos humanos disponível para estar presente", disse Heitor de Sousa ao DN.

O deputado bloquista acrescenta: "Solicitámos a presença de representantes do conselho de administração da Ryanair em Portugal e não do departamento de recursos humanos".

O sindicato nacional do pessoal de voo da aviação civil (SNPVAC) considera que a recusa da Ryanair "denota a falta de respeito pelo nosso governo". Bruno Fialho do SNPVAC declarou ainda: "Aguardamos que os deputados da nação tenham dureza e firmeza nesta questão e que a Ryanair seja obrigada a atuar de acordo com a legislação laboral e a Constituição do nosso país".

O Bloco de Esquerda apresentou na Assembleia da República, em julho passado, um projeto de resolução que recomenda ao governo que “tome as diligências necessárias para obrigar a Ryanair e as suas agências de recrutamento, Crewlink e Workforce Internacional, a aplicar a legislação portuguesa às relações laborais com os seus trabalhadores”.

Greve europeia em setembro

Os sindicatos que representam pilotos e trabalhadores de Alemanha, Bélgica, Espanha, Holanda, Irlanda, Itália e Portugal vão reunir-se no dia 7 de setembro em Roma e provavelmente anunciar uma nova greve europeia na Ryanair, ainda em setembro.

Sindicatos de Alemanha, Bélgica, Espanha, Holanda, Irlanda, Itália e Portugal vão reunir-se no dia 7 e provavelmente anunciar nova greve europeia na Ryanair, ainda em setembro

"O objetivo já está previamente delineado. A reunião serve para definirmos as questões estruturais. Os dias de greve já estão alinhavados. Contamos que sejam pelo menos dois dias, mas poderão ser mais", afirma Bruno Fialho. O representante do SNPVAC espera também que a paralisação de tripulantes e pilotos seja no mesmo dia. "Estamos a contar com que ambas as classes realizem esta luta. Todos têm os mesmos problemas", diz Bruno Fialho, que prevê uma adesão de 90% por parte dos tripulantes da empresa com base em Portugal.

Pedro da Quitéria Faria, advogado do SNPVAC, disse ao DN que os trabalhadores portugueses da Ryanair querem um acordo coletivo de trabalho (ACT), condições salariais, direito de usufruto de licenças de parentalidade, fim dos processos disciplinares com base nas baixas médicas ou nos objetivos inerentes às vendas de bordo são algumas das reivindicações sindicais.

"O que em Portugal os sindicatos querem é que haja um ACT entre a Ryanair, a Crewlink, a Workforce e o SNPVAC com regras iguais para todos os trabalhadores da Ryanair, e com respeito pela lei portuguesa. Esta é a nossa posição, sempre foi e a porta mantém-se aberta para que, caso assim pretendam, possamos celebrar este instrumento de regulamentação coletiva de trabalho", conclui o advogado do sindicato.

Sobre supostos acordos da Ryanair com sindicatos, com sindicatos de pilotos da Irlanda e da Itália, Bruno Fialho diz que é uma “campanha de marketing”, salientando que o acordo em Itália é com uma associação com apenas 10 filiados e, quanto à Irlanda, o dirigente sindical explica que "é relativo a situações menores, porque a legislação irlandesa é cumprida pela Ryanair. Não estamos a falar do que se passa nos outros países, em que o que está em causa é a Constituição e o Código do Trabalho. São situações diferentes".

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