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Ryanair intimida trabalhadores e admite cancelar até 600 voos

A greve europeia de 25 e 26 de julho, convocada pelos tripulantes de cabine em Portugal, Espanha e Bélgica, irá cancelar voos a 50 mil viajantes com origem ou destino nestes países.
Foto Alessandro Ambrosetti/Flickr

Em comunicado, a transportadora aérea informa que irá cancelar até 300 voos em cada um dos dias da inédita paralisação conjunta marcada para quarta e quinta-feira da próxima semana. A Ryanair diz ter informado por SMS e email cerca de 50 mil clientes dos efeitos do que chama “greves desnecessárias”.

“Considerando que os tripulantes de cabine da Ryanair auferem salários excelentes – até €40.000 por ano (em países com elevado índice de desemprego jovem) – horários líderes de indústria (14 dias de folga por mês), óptimas comissões por vendas, subsídio de uniforme e baixa de doença paga, estas greves são completamente injustificadas e apenas resultarão em perturbações a férias de famílias, beneficiando as companhias aéreas concorrentes em Portugal, Espanha e Bélgica”, diz o porta-voz da empresa, Kenny Jacobs.

Para chegar a estas contas, a empresa enviou emails aos tripulantes em Portugal, Espanha, Bélgica e Itália a questioná-los se pretendiam aderir à greve. Para a presidente do a presidente do SNPVAC, esta “é mais uma manobra” da Ryanair, mesmo sabendo que “o direito a fazer greve existe”.

Luciana Passo afirmou à Lusa que a paralisação convocada pelos sindicatos SNPVAC, UILTRASPORTI/FILT - CGIL (Itália), SITCPLA (Espanha), USO (Espanha) e CNE-LBC (Bélgica) vai causar “transtornos enormes, gravíssimos e escusados a quem não tem culpa nenhuma”. Tudo porque a Ryanair não aceita as exigências dos tripulantes, que passam por aplicar a lei do país onde está, reconhecer os representantes do sindicato como interlocutores básicos — a transportadora só admite negociar com delegados sindicais que trabalhem na empresa — e aplicar as mesmas condições de trabalho a todos os trabalhadores que operam nos seus aviões, mesmo que pertençam a empresas subcontratadas.

"Acreditamos que a Ryanair tem de ser reestruturada e incorporar, de uma vez por todas, os valores da União Europeia baseados na dignidade humana, liberdade, democracia, igualdade e respeito pela lei”, diz o texto divulgado pelos sindicatos e citado pela agência Lusa.

Ryanair defende “direito” a questionar trabalhadores sobre adesão à greve

Em comentário enviado ao esquerda.net, a responsável de vendas e marketing da empresa, defende que a Ryanair tem “o direito de procurar respostas (a questões razoáveis) dos nossos colaboradores”.

“Procuramos simplesmente compreender quem irá trabalhar na quarta e quinta-feira da próxima semana de forma a minimizar o impacto para os nossos clientes e suas famílias”, refere Andreia Cunha. Em resposta às acusações sindicais de que este questionário é uma “manobra” para intimidar os trabalhadores, a responsável da Ryanair afirma que “os sindicatos parecem não importar-se com os nossos clientes nem com os empregos dos nossos colaboradores”.

“Ninguém pode ser, nem será, castigado ou vitimizado por aderir a uma greve, do mesmo modo que os sindicatos não podem ameaçar, intimidar e transmitir informação incorrecta a todos os que não desejam aderir à greve, pretendendo trabalhar conforme estava previsto”, diz a responsável da empresa em Portugal.


Notícia atualizada a 19 de julho com a reação da Ryanair sobre o questionário que enviou aos trabalhadores.

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