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Ryanair acusada de greenwashing em campanha sobre emissões de carbono

Entidade reguladora do Reino Unido considerou que as afirmações da companhia aérea sobre baixas emissões de carbono eram “enganadoras”, pois demonstrou não conseguir comprovar os dados divulgados numa campanha publicitária.
Ryanair acusada de greenwashing em campanha sobre emissões de carbono
Michael O’Leary continua a afirmar que não há relação entre a crise climática e as emissões de carbono. Foto de Andreas Trojak/Flickr.

A Ryanair foi acusada de greenwashing no âmbito de uma campanha publicitária na qual alegava que a operadora aérea lowcost tem emissões de carbono mais baixas que qualquer outra companhia da Europa. A campanha foi proibida pela entidade de fiscalização publicitária do Reino Unido.

Esta campanha surge cinco meses após a divulgação de um relatório da União Europeia no qual a Ryanair é considerada uma das principais emissoras de carbono da Europa. Na campanha de lavagem verde de imagem – greenwashing – a empresa de Michael O’Leary afirmava ter “as tarifas mais baixas da Europa, [e] a companhia aérea com menores emissões”.

A lowcost afirmou explicitamente ter “menos emissões de carbono que qualquer outra grande companhia aérea”, usando para isso o cálculo das emissões de CO2 por passageiro e por quilómetro.

"Os anúncios não devem voltar aparecer com o seu atual conteúdo", afirmou a Advertising Standards Authority (ASA). A entidade reguladora quis que a Ryanair apresentasse “evidências suficientes” para fundamentar a sua argumentação, noticia o Guardian.

Porém, a entidade de fiscalização publicitária do Reino Unido, a ASA, acabou por proibir a campanha de publicidade depois de a empresa não ter justificado coerentemente as suas afirmações. Os dados fornecidos pela companhia aérea “não tinham grande valor para consubstanciar uma comparação feita em 2019”, considerando por isso a campanha “enganadora”.

A Ryanair também excluiu algumas grandes companhias aéreas do gráfico incluído na campanha publicitária, não estando assim claro se estas foram contabilizadas. Por último, fora das considerações ficou a densidade de assentos (o número de lugares sentados por avião), coisa que a reguladora considera ser “informação significativa que os consumidores devem conhecer de forma a compreender a base da alegação”.

O grupo ambientalista Transport & Environment reagiu à decisão de mandar retirar a campanha e exorta a operadora aérea a deixar o greenwashing de lado e focar-se em reduzir as suas emissões.

“A Ryanair deve parar com o greenwashing e começar a fazer algo em relação às suas elevadas emissões”, afirmou Jo Dardenne, da Transport & Environment, ao Guardian.

Michael O’Leary é conhecido pelas suas declarações ofensivas, estando entre elas a proposta de disparar contra ativistas ambientalistas. O’Leary também continua a afirmar que não há relação entre a crise climática e as emissões de carbono.

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