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Rumo à República catalã. A solidariedade, um dever internacionalista

Apelo subscrito por deputados do Bloco, Podemos e dirigentes políticos franceses e gregos, face às ameaças de intensificação da repressão e da suspensão da autonomia catalã pelo governo de Rajoy.
Foto Assemblea.cat/Flickr

Uma revolução democrática começou no sudoeste da Europa. A jornada vivida este 1 de outubro na Catalunha foi a maior mobilização de desobediência civil e institucional não violenta vivida na Catalunha, no Estado espanhol e na Europa ao longo da sua história contemporânea. Apesar da extraordinária mostra de violência repressiva das forças policiais e da Guardia Civil por parte do Estado espanhol, mais de dois milhões de pessoas conseguiram exercer o seu direito de voto e exprimiram de forma admirável, pacífica e festiva a sua vontade de caminhar rumo a uma República catalã e a abertura de um processo constituinte participativo.

Foi o Estado espanhol que perdeu definitivamente a sua legitimidade na Catalunha, enquanto a resposta exemplar das mais de 2 milhões de pessoas nos centros de votação e nas ruas e praças das cidades e povoações face à repressão policial atingiu uma legitimação internacional inegável. Uma resposta que pôs em evidência o altíssimo grau de autoorganização e empoderamento popular conquistado e que sem dúvida pode e deve estender-se aos centros de trabalho e estudo na Greve Geral, política e social convocada pela grande maioria das organizações sindicais e sociais da Catalunha para este dia 3 de outubro em defesa das liberdades, do direito a decidir e a favor de uma Carta dos direitos sociais.

As respostas do chefe de governo espanhol e do corrupto Partido Popular, Mariano Rajoy, e do líder do PSOE, Pedro Sánchez, continuam a mostrar uma total falta de vontade de reconhecer a derrota política que sofreram neste 1 de outubro.  Pelo contrário, agarram-se a uma defesa fundamentalista da Constituição de 1978 e só apelam à obediência a uma legalidade caduca face à nova legitimidade conquistada neste 1 de outubro. O Partido Popular no governo decidiu dar a Catalunha como perdida, num cálculo eleitoralista que menospreza os direitos e as liberdades da sua cidadania.

É o momento da mobilização e da solidariedade com o povo catalão face às ameaças de intensificação da repressão e da suspensão da autonomia catalã pelo governo de Rajoy. Está em jogo não só o futuro do povo da Catalunha, mas também o dos povos do Estado espanhol e da Europa na luta pelas liberdades, a democracia e a soberania de todos os povos. Por isso apelamos à solidariedade internacionalista dos trabalhadores e dos povos face à do grande capital e das grandes potências com o regime de 78.

Em 1898, com o “desastre” vivido após a perda pelo Império espanhol de Cuba, Filipinas e Porto Rico, o poeta Joan Maragall escreveu um poema sobre o abandono e a incompreensão do governo em relação ao povo catalão que acabava com um “Adéu, Espanya”. Hoje, esse adeus dirigido não contra os povos do Estado espanhol, mas contra um governo e um regime antidemocrático e austeritário, é o sentir da maioria do povo catalão.

Estamos convencidos de que a rotura democrática que já começou na Catalunha ajudará sem dúvida a avançar no caminho para a rotura com este regime e a abertura de processos constituintes a partir do protagonismo dos povos em todo o Estado. Porque, como se pôde ouvir nas manifestações destes dias quando se entoou uma das canções que foi hino da luta contra a ditadura franquista, L’Estaca, de LLuís Llach, “Si estirem tots, ella caurá/ i molt de temps no pot durar,/ segur que tomba, tomba, tomba/ i ens podem alliberar”.

Sonia Farré - Deputada do En Comú Podem

Miguel Urbán - Eurodeputado do Podemos

Jaime Pastor - Membro de Anticapitalistas

Olivier Besancenot, Christine Poupin e Philippe Poutou - Membros do Nouveau Parti Anticapitaliste (França)

Jorge Costa e Joana Mortágua - Deputados do Bloco de Esquerda (Portugal)

Antonis Ntavanellos - Fundação A Comuna e portavoz de DEA (Grécia)

Maria Bolari - Ex-deputada do Syriza e membro da DEA (Grécia)


Artigo publicado no site publico.es, traduzido por Luís Branco para o esquerda.net

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